Na última terça‑feira, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou que, em novembro de 2025, foram criados 85,9 mil empregos formais. O número parece pequeno se comparado aos 106,1 mil de novembro de 2024, representando uma queda de 19,1%. Para quem acompanha a economia do dia a dia, essa variação tem mais consequências do que parece à primeira vista.
Mas antes de mergulharmos nos detalhes, vale lembrar que esses números são apenas a ponta do iceberg. Eles contam apenas os contratos formais registrados no Caged, excluindo o enorme mercado informal que ainda sustenta boa parte da população brasileira. Ainda assim, a tendência de desaceleração traz sinais claros sobre o que pode mudar nos próximos meses.
O que está por trás da queda? O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já apontou duas causas principais: o desaquecimento da economia e a alta dos juros. Quando o Banco Central eleva a taxa Selic, o crédito fica mais caro, as empresas adiam investimentos e, consequentemente, reduzem as contratações. Além disso, setores como calçados e madeira, que ainda sentem o impacto do chamado “tarifaço”, fecharam vagas, puxando a média para baixo.
Essa situação não é nova. Desde que o Caged começou a ser publicado em 2020, novembro tem sido um mês de alta volatilidade. Em 2020, o país registrou 376,4 mil vagas abertas, número que despencou para 85,9 mil em 2025. A queda não é linear; ela reflete choques externos – como a pandemia – e internos, como a política monetária.
Como isso afeta o trabalhador comum? Primeiro, o salário médio de admissão subiu para R$ 2.310,78, acima dos R$ 2.242,83 de novembro de 2024. Em termos reais, isso indica que, embora haja menos vagas, quem consegue uma posição pode estar negociando salários um pouco melhores. Para quem está desempregado, porém, a mensagem é clara: a concorrência aumentou e a procura por vagas está mais acirrada.
Outro ponto importante é a distribuição regional. O Sudeste liderou com 43,3 mil novas vagas, seguido pelo Nordeste com 35,6 mil. O Centro‑Oeste, por outro lado, registrou 10,8 mil postos fechados. Se você mora em Goiás ou Mato Grosso, por exemplo, pode sentir o impacto mais diretamente, já que o mercado local está encolhendo.
Setorialmente, o comércio se destacou com 78,2 mil vagas, enquanto a indústria fechou 27,1 mil postos. O serviço, que costuma ser mais resiliente, ainda gerou 75,1 mil empregos. Essa divisão mostra que, apesar da crise, o consumo interno ainda gera oportunidades, especialmente em lojas, supermercados e comércio eletrônico.
O que fazer para se preparar? Se você está procurando emprego, vale a pena focar nas áreas que ainda crescem:
- Comércio e varejo: habilidades em atendimento ao cliente, gestão de estoque e vendas online são cada vez mais valorizadas.
- Serviços: setores como saúde, educação e tecnologia de apoio continuam demandando profissionais.
- Capacitação: cursos rápidos de certificação (por exemplo, em Excel avançado, marketing digital ou logística) podem fazer a diferença.
Além disso, manter o currículo atualizado e investir em networking – seja em eventos presenciais ou em grupos de LinkedIn – aumenta as chances de ser visto por recrutadores que ainda estão contratando.
Perspectivas para 2026 – O ministro Marinho já sinalizou esperança de redução da taxa de juros no próximo ano. Se o Banco Central conseguir baixar a Selic, o crédito ficará mais barato, as empresas poderão retomar projetos de expansão e, naturalmente, a criação de vagas deve acelerar. No entanto, a expectativa depende de fatores externos, como a inflação global e a estabilidade política interna.
Enquanto isso, o governo tem buscado alternativas para estimular a geração de empregos, como linhas de crédito específicas para pequenas e médias empresas e incentivos fiscais para setores estratégicos. Essas medidas ainda são tímidas, mas podem ser o ponto de partida para uma recuperação mais robusta.
Em resumo, o recuo de 19,1% nos empregos formais em novembro de 2025 não deve ser visto como um fim de linha, mas como um alerta. Ele nos lembra que a economia está em um momento de ajuste e que a adaptação – seja por meio de qualificação, mudança de setor ou busca por oportunidades em regiões mais dinâmicas – é essencial para quem quer garantir estabilidade no mercado de trabalho.
E você, como tem se preparado para esse cenário? Compartilhe nos comentários suas estratégias, dúvidas ou até mesmo histórias de sucesso. Juntos, podemos transformar esses números frios em aprendizados práticos para o nosso dia a dia.



