Você já parou para pensar em como os Correios, aquela instituição que a gente conhece desde a infância, está lutando para se reinventar? Eu, como cliente assíduo, percebo as mudanças nas agências, nas tarifas e até na forma como enviamos encomendas. Mas o que realmente está acontecendo nos bastidores? Vamos conversar sobre o plano de reestruturação, os números recentes e o que isso pode significar para a gente no dia a dia.
Um panorama dos últimos trimestres
Nos últimos 12 trimestres, os Correios registraram prejuízos que chegam a R$ 6 bilhões no terceiro trimestre de 2025 – um salto assustador comparado aos R$ 2,1 bilhões de 2024. Mesmo assim, há um ponto de luz: as receitas com encomendas e mensagens cresceram, ainda que modestamente. Em setembro de 2025, a receita de encomendas foi de R$ 7,2 bilhões e a de mensagens, R$ 3,6 bilhões, o maior patamar desde 2022.
Mas esse crescimento não foi suficiente para compensar a queda de quase R$ 2 bilhões nas postagens internacionais, que antes representavam mais de 20% da receita. Essa queda está diretamente ligada ao programa “Remessa Conforme”, que passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, popularmente chamada de “taxa das blusinhas”.
Por que a receita total ainda cai?
A medida do governo fez com que empresas de transporte pudessem assumir o frete de mercadorias internacionais, tirando um volume significativo dos Correios. O resultado foi uma redução de R$ 2,2 bilhões na receita acumulada até setembro de 2025 – 66% do que era arrecadado antes da mudança.
Além disso, a participação de mercado nas encomendas despencou de 51% em 2019 (primeiro ano do governo Bolsonaro) para apenas 22% hoje. O presidente Emmanoel Rondon explicou que o antigo monopólio de cartas em centros urbanos não é mais suficiente para financiar a universalização do serviço postal em áreas remotas e deficitárias.
O plano de reestruturação: o que está no papel
Para tentar reverter a situação, os Correios apresentaram um plano ambicioso que envolve:
- Corte de custos: redução de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis não operacionais (R$ 1,5 bilhão) e fechamento de mil agências.
- Programa de Demissão Voluntária (PDV): objetivo de afastar 15 mil funcionários em até dois anos, representando cerca de 18% da folha.
- Revisão de benefícios: reformulação do plano de saúde para economizar R$ 500 milhões ao ano.
- Investimento em tecnologia: R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, financiados por um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, focados em automação, descarbonização da frota e modernização de TI.
O objetivo final é alcançar R$ 21 bilhões em receita até 2027, revertendo o prejuízo e voltando ao lucro em 2027.
Como isso afeta você, cliente?
Se você costuma enviar pacotes ou usar os serviços de mensagem dos Correios, algumas mudanças podem chegar:
- Possível aumento de tarifas: com menos agências e custos menores, pode haver ajustes nos preços de envio.
- Melhor experiência digital: a aposta em tecnologia promete rastreamento mais preciso e plataformas online mais ágeis.
- Serviços diversificados: a categoria “outros” – que inclui logística, venda de chips, marketing – pode ganhar mais visibilidade, trazendo opções novas para quem busca soluções integradas.
É importante ficar de olho nas notícias e nos comunicados oficiais, porque as mudanças podem ser implementadas gradualmente ao longo dos próximos anos.
Prós e contras da reestruturação
Prós:
- Redução de gastos pode melhorar a saúde financeira da empresa.
- Investimento em automação pode tornar o serviço mais rápido e confiável.
- Foco em sustentabilidade (descarbonização) alinha a estatal às tendências globais.
Contras:
- Fechamento de agências pode deixar comunidades rurais sem acesso fácil ao serviço.
- PDV pode gerar insegurança entre os funcionários e impactar o clima organizacional.
- Dependência de empréstimos e recursos públicos pode gerar críticas sobre o uso de dinheiro público.
O que esperar para o futuro?
Se tudo correr como planejado, os Correios podem se tornar uma empresa mais enxuta, tecnológica e competitiva, capaz de concorrer com gigantes do e‑commerce e serviços de entrega rápida. Porém, o caminho ainda é longo e cheio de incertezas. O sucesso dependerá não só da execução do plano interno, mas também da capacidade de adaptação ao mercado que muda rapidamente.
Para nós, consumidores, a esperança é que a estatal continue sendo uma opção confiável, especialmente nas áreas onde a concorrência ainda não chegou. Enquanto isso, vale a pena comparar preços, prazos e serviços antes de escolher onde enviar aquela compra online ou aquela carta importante.
E aí, o que você acha? Acredita que os Correios vão conseguir se reinventar ou acha que o mercado já passou da hora de deixá‑los para trás? Compartilhe sua opinião nos comentários!



