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Juros bancários nas alturas: o que isso significa para o seu bolso em 2024

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Juros bancários nas alturas: o que isso significa para o seu bolso em 2024

Se você ainda não sentiu o peso dos juros no seu dia a dia, prepare-se: eles estão em um dos maiores patamares dos últimos oito anos. Em novembro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu 0,6 ponto percentual, fechando em 46,7% ao ano. Para quem tem empréstimo, cheque especial ou cartão de crédito rotativo, a notícia não é das melhores.



Por que os juros subiram?

O principal vilão por trás desse aumento é a taxa Selic, que está em 15% ao ano – o nível mais alto em quase duas décadas. O Banco Central mantém a Selic alta para conter a inflação, mas isso tem um efeito colateral direto nos juros que os bancos cobram de pessoas físicas e jurídicas.



Como isso afeta diferentes tipos de crédito

  • Empréstimos para pessoa física: a taxa subiu de 58,5% para 59,4% ao ano.
  • Cheque especial: passou de 139,1% para 141,7% ao ano.
  • Cartão de crédito rotativo: está em impressionantes 440,5% ao ano, praticamente inalterado.

Esses números são assustadores, principalmente porque o crédito rotativo do cartão de crédito já era considerado a linha mais cara do mercado, acima de 400% ao ano. Mesmo com o Conselho Monetário Nacional limitando o valor total da dívida a 100% da dívida original, o custo do IOF ainda pode tornar a conta ainda maior.



Endividamento das famílias: um panorama preocupante

Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias chegou a 49,3% da renda acumulada nos últimos doze meses – o maior número desde a pandemia. Isso significa que quase metade da renda familiar está comprometida com dívidas bancárias.

Além disso, a taxa de inadimplência nas operações com pessoa física está em 4,7%, bem próxima do recorde histórico de 4% que começou a ser registrado em 2011. Quando a inadimplência sobe, os bancos tendem a repassar ainda mais custos para quem consegue pagar, criando um ciclo vicioso.

O que você pode fazer para se proteger

Não dá para mudar a taxa Selic, mas dá para adotar algumas estratégias que ajudam a aliviar o impacto dos juros altos:

  1. Priorize o pagamento total da fatura do cartão de crédito. Evite o rotativo a todo custo; se precisar parcelar, procure opções com juros menores.
  2. Negocie o cheque especial. Muitos bancos oferecem redução de juros para quem demonstra interesse em regularizar a situação.
  3. Reavalie empréstimos e financiamentos. Se houver possibilidade de refinanciamento com taxas menores, vale a pena considerar.
  4. Monte uma reserva de emergência. Mesmo que seja um valor pequeno, ter uma margem de segurança pode impedir que você recorra a crédito caro em emergências.

Essas medidas não eliminam os juros altos, mas podem reduzir o quanto você paga ao longo do tempo.

Perspectivas para o futuro

O Banco Central sinalizou que a Selic deve permanecer em 15% ao menos até o próximo ano, o que indica que os juros bancários podem permanecer elevados. No entanto, há discussões sobre possíveis cortes caso a inflação dê sinais de controle. Enquanto isso, o volume total de crédito bancário continua crescendo, chegando a R$ 7 trilhões, com destaque para crédito ao consumo, como cartões e financiamento de veículos.

Se a tendência de endividamento continuar, os bancos podem ficar mais cautelosos na concessão de crédito, o que pode levar a critérios de aprovação mais rígidos. Para o consumidor, isso significa que a disciplina financeira será ainda mais importante.

Em resumo, os juros bancários altos são um reflexo da política monetária para controlar a inflação, mas acabam pesando no bolso de quem já está endividado. Conhecer os números, entender onde está o maior risco (como o rotativo do cartão) e adotar boas práticas de gestão financeira são passos essenciais para não ser surpreendido por uma conta ainda maior no fim do mês.