Se você costuma acompanhar a inflação, já deve ter visto o número 4,41 % aparecendo nas manchetes. Esse foi o resultado do IPCA‑15 de 2025, a prévia que o IBGE divulga todo mês. Mas, mais do que um número, o que essa variação de 0,25 % em dezembro tem a ver com a sua vida cotidiana?
Entendendo o IPCA‑15
O IPCA‑15 é como um termômetro da inflação. Ele mede a variação de preços de um conjunto de bens e serviços que compõem o consumo das famílias brasileiras. A diferença para o IPCA “cheio” (o oficial) é que o IPCA‑15 cobre apenas 15 % das cidades mais populosas, o que costuma antecipar a tendência nacional.
Os números de dezembro
Em dezembro de 2025, o índice subiu 0,25 % em relação ao mês anterior, fechando o ano com 4,41 % acumulado. Essa alta ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado (0,27 % no mês e 4,43 % no acumulado). Ainda assim, o resultado ficou dentro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (meta de 3 % ± 1,5 ponto percentual).
Quais grupos puxaram a inflação?
- Transportes: +0,69 % – responsável por 0,14 ponto percentual do total. O destaque foi o salto de 12,71 % nas passagens aéreas e 9 % nos aplicativos de carro.
- Vestuário: +0,69 % – impulsionado por roupas infantis (+1,05 %), femininas (+0,98 %) e masculinas (+0,70 %).
- Despesas pessoais: +0,46 % – com destaque para serviços de cabeleireiro (+1,25 %) e pacotes turísticos (+2,47 %).
- Habitação: +0,17 % – aluguel (+0,33 %) e água/esgoto (+0,66 %).
- Alimentação e bebidas: +0,13 % – com queda nos alimentos comprados para casa (tomate –14,53 %, leite longa vida –5,37 %) e alta nas carnes (+1,54 %) e frutas (+1,46 %).
Onde os preços caíram?
Dois grupos registraram queda: Artigos de residência (‑0,64 %) e Saúde e cuidados pessoais (‑0,01 %). No primeiro caso, a redução veio de eletrodomésticos (‑1,41 %) e equipamentos de TV/som (‑0,93 %). Já o setor de saúde quase não variou, mas a leve queda ajuda a equilibrar o resultado geral.
O impacto dos transportes públicos
Curiosamente, o transporte coletivo urbano ajudou a conter a alta. Em cidades como Belém, Brasília e Curitiba, houve redução de tarifas ou gratuidade nos domingos, o que fez o ônibus cair 0,69 % e o metrô 0,62 %.
O que isso significa para o seu orçamento?
Para quem paga passagem de avião ou usa aplicativos de carro, a sensação de “bolso apertado” pode ser real. Um aumento de 12,71 % nas passagens aéreas, por exemplo, pode transformar uma viagem de fim de semana em algo bem mais caro. Por outro lado, quem depende de ônibus ou metrô nas capitais citadas pode ter sentido um alívio nas tarifas.
Na alimentação, a queda de preços no domicílio (tomate, arroz, leite) pode ajudar quem faz compras em supermercados. Mas a alta de 0,65 % nos alimentos fora de casa – lanches, refeições em restaurantes – indica que sair para comer ainda pesa no orçamento.
Serviços: o ponto de atenção dos economistas
Os especialistas concordam que o grande desafio agora são os serviços. O chamado “serviço subjacente” subiu 0,52 %, acima do esperado, sinalizando pressões no mercado de trabalho e nos custos de prestação de serviços (como cabeleireiro, turismo, transporte por aplicativo).
Para o Banco Central, isso significa que a política monetária ainda precisa ser cautelosa. Mesmo com a inflação total dentro da meta, a inflação de serviços acima de 6 % no acumulado de 12 meses impede cortes mais agressivos na taxa de juros.
Perspectivas para 2026
Os analistas apontam que o primeiro trimestre de 2026 será decisivo. Se a pressão nos serviços diminuir, poderemos ver uma desaceleração mais clara da inflação e, talvez, um início de ciclo de redução da taxa Selic. Caso contrário, o Banco Central pode manter a postura “pró‑ativa” para evitar que a inflação suba novamente.
Como se proteger da alta de preços?
- Planeje suas viagens: compre passagens com antecedência e fique de olho em promoções. Se possível, escolha voos em dias de menor demanda.
- Use o transporte público: aproveite as tarifas reduzidas nas capitais que oferecem gratuidade nos domingos.
- Reavalie o consumo fora de casa: pequenos cortes em lanches e refeições podem compensar o aumento de preços.
- Negocie contas de serviços: energia elétrica, água e gás ainda têm margem para revisão de tarifas; fique atento às bandeiras tarifárias.
Conclusão
O IPCA‑15 de dezembro de 2025 mostra um cenário de inflação ainda controlada, mas com sinais claros de que os serviços podem ser o ponto de ruptura. Para quem quer manter o poder de compra, a dica é ficar de olho nos grupos que mais afetam o seu bolso – transporte, alimentação fora de casa e vestuário – e buscar alternativas mais econômicas sempre que possível.
Se quiser acompanhar de perto a evolução dos preços, vale instalar o app do G1 ou acessar o site do IBGE. Informação é a melhor ferramenta para tomar decisões financeiras mais acertadas.



