Comecei o ano acompanhando o mercado de perto, como de costume, e a primeira coisa que notei foi o dólar recuando para R$ 5,42 no primeiro pregão de 2026. Não é todo dia que a moeda estrangeira dá uma respirada, ainda mais depois de fechar 2025 com uma desvalorização de mais de 10 % – o pior desempenho em quase uma década.
Por que o dólar está caindo?
O preço do dólar é influenciado por uma mistura de fatores internos e externos. No caso recente, alguns pontos se destacam:
- Política monetária dos EUA: O Federal Reserve (Fed) está caminhando para cortar juros, mas o mercado ainda tem dúvidas porque o relatório de empregos (payroll) que vem aí pode mostrar força no mercado de trabalho, o que pressiona a inflação.
- China e as tarifas de carne: A China limitou as importações de carne bovina e impôs uma sobretaxa de 55 % para volumes acima de 2,7 milhões de toneladas. Como o Brasil é o maior fornecedor, isso pode reduzir a demanda por dólares que entram no país.
- Expectativas de crescimento chinês: A meta de 5 % de crescimento para 2025 mantém a procura por commodities brasileiras, como minério de ferro, o que pode sustentar o real.
Ibovespa dá uma leve caída: o que está por trás?
Enquanto o dólar recua, o Ibovespa fechou o dia com um recuo de 0,36 %, em 160.539 pontos. Não é uma queda dramática, mas quebra a sequência de alta que vimos em 2025 – quando o índice subiu mais de 33 %.
Alguns motivos que explicam esse movimento:
- Volume de negócios reduzido devido ao feriado de Ano Novo, o que deixa o mercado mais sensível a notícias.
- Investidores ainda digerindo a notícia das tarifas chinesas e avaliando como isso vai impactar as exportações de carne e soja.
- O cenário de juros no Brasil continua apertado, refletindo a pressão das contas públicas e da dívida.
Como isso afeta o seu dia a dia?
Se você costuma comprar produtos importados, fazer viagens ao exterior ou investir em ações, essas oscilações têm um impacto direto. Veja alguns exemplos práticos:
- Compras online de produtos estrangeiros: Com o dólar mais barato, o preço final em reais tende a cair. É um bom momento para adquirir eletrônicos, roupas ou livros que vêm dos EUA ou da China.
- Viagens internacionais: Se você tem planos de viajar, a cotação mais baixa significa que a sua reserva de hotéis e passagens vai custar menos em reais.
- Investimentos: Para quem tem carteira de ações, a leve queda do Ibovespa pode ser um sinal de cautela, mas também uma oportunidade de comprar ações de empresas que ainda têm potencial de alta, como mineradoras beneficiadas pela demanda chinesa.
O que observar nas próximas semanas
O mercado está de olho em três eventos que podem mudar o cenário rapidamente:
- Relatório de empregos dos EUA (payroll): Se o número de vagas criadas for maior que o esperado, o Fed pode adiar cortes de juros, o que faria o dólar subir novamente.
- Nomeação do próximo presidente do Fed: A escolha de Kevin Hassett, indicado por Donald Trump, pode sinalizar uma postura mais conservadora em relação à política monetária.
- Desenvolvimentos na China: Qualquer mudança nas cotas de importação ou na política de tarifas pode influenciar a demanda por commodities brasileiras e, por consequência, o fluxo de dólares.
Um panorama global: o que os outros mercados estão fazendo?
Mesmo com o volume baixo no Brasil, as bolsas ao redor do mundo começaram 2026 em alta. Nos EUA, o Dow Jones subiu 0,67 %, o S&P 500 avançou 0,18 % e o Nasdaq ficou praticamente estável. Na Europa, o STOXX 600 ganhou 0,7 % e chegou perto da marca simbólica de 600 pontos.
Na Ásia, o destaque ficou para Hong Kong, cujo índice Hang Seng subiu forte graças ao otimismo em torno da inteligência artificial chinesa. Taiwan, Coreia do Sul e Singapura também registraram ganhos, enquanto Japão e China continental ainda estavam fechados.
O ouro continua como porto seguro
Em meio à incerteza cambial, o ouro subiu mais de 1 % no primeiro pregão do ano, mantendo a tendência de alta que começou em 2025 – o melhor desempenho em 46 anos. Se você ainda não tem ouro na carteira, pode ser interessante considerar uma pequena alocação como proteção contra a volatilidade do dólar.
Resumo rápido para quem tem pressa
- Dólar: R$ 5,42 (queda de 1,18 % no dia).
- Ibovespa: 160.539 pontos (queda de 0,36 %).
- Fatores que puxam o dólar para baixo: expectativa de cortes de juros nos EUA, tarifas chinesas sobre carne e meta de crescimento chinês.
- O que observar: payroll dos EUA, nomeação do presidente do Fed e política de importação da China.
- Dica prática: aproveite a cotação mais baixa para compras internacionais e avalie oportunidades de investimento em setores beneficiados pela demanda chinesa.
Em resumo, o início de 2026 traz sinais mistos: o dólar dá uma trégua, mas o Ibovespa ainda sente o peso das incertezas globais. O melhor caminho é ficar atento às notícias, analisar como cada movimento afeta seu bolso e, se possível, diversificar os investimentos para reduzir riscos.



