Quando o Natal se aproxima e a mesa ainda não tem o peru, a gente começa a procurar alternativas que caibam no bolso e ainda deixem todo mundo satisfeito. É aí que entram o Chester da Perdigão e o Fiesta da Seara. Você já deve ter notado que eles são bem maiores que o frango que compramos o ano inteiro, mas sabe exatamente por que isso acontece? Vou explicar de forma simples, mostrar o que rola por trás da criação desses bichinhos e ainda dar umas dicas de como aproveitar ao máximo na sua festa.
Genética em ação: o segredo do tamanho
Primeiro, vamos entender a base de tudo: a seleção genética. Diferente dos frangos comuns, que são criados para reprodução e consumo ao longo do ano, o Chester e o Fiesta são criados exclusivamente para o abate. Isso permite que os produtores foquem em características específicas, como peito maior, maior ganho de peso por quilograma de ração e, claro, tamanho geral.
Segundo o especialista da Embrapa, Elsio Figueiredo, o processo leva cerca de um ano e envolve a combinação de quatro linhas genéticas diferentes (A, B, C e D). Cada linha traz um traço desejado – por exemplo, a linha A pode ter peito mais volumoso, a B pode converter ração em peso de forma mais eficiente, e assim por diante. Quando essas linhas são cruzadas, a geração resultante, chamada ABCD, dá origem ao frango que vemos nas lojas durante a temporada de festas.
Por que só os machos viram Chester ou Fiesta?
Outra curiosidade que muita gente não conhece: apenas os machos são usados para produzir esses frangos especiais. Por quê? Os machos têm tendência a crescer mais rápido e a ganhar mais massa muscular, especialmente no peito, que é a parte mais valorizada na ceia. As fêmeas, por sua vez, continuam a ser vendidas como frangos de uso diário, já que seu desenvolvimento não acompanha o mesmo ritmo de crescimento.
Comparação com o peru: quem realmente domina a mesa?
O peru ainda tem o título de “protagonista” nas ceias de Natal, mas na prática, o Chester e o Fiesta são opções mais práticas e econômicas para quem não quer gastar muito ou não encontra peru de qualidade. Enquanto o peru costuma pesar entre 4 e 6 kg, o Chester costuma chegar a 2,5 kg, oferecendo uma quantidade generosa de carne sem ocupar tanto espaço no forno.
Impactos no bolso: vale a pena?
- Preço: O Chester costuma ser 15‑20 % mais barato que um peru de tamanho similar.
- Rendimento: Por ser mais magro e ter menos ossos, rende mais carne utilizável por quilo.
- Facilidade de preparo: Por ser menor, o tempo de assado diminui, o que ajuda quem tem uma cozinha apertada.
Esses fatores tornam o frango de Natal uma escolha inteligente, especialmente para famílias que buscam equilibrar tradição e economia.
Como preparar o Chester ou o Fiesta de forma simples e saborosa
Se você ainda tem dúvidas sobre como cozinhar, aqui vai uma receita prática que eu costumo usar nas festas:
- Preaqueça o forno a 200 °C.
- Tempere o frango com sal, pimenta-do-reino, alho amassado e um fio generoso de manteiga ou azeite.
- Adicione ramos de alecrim e tomilho para aromatizar.
- Leve ao forno por cerca de 1 h e 20 min, regando a cada 20 min com o próprio suco da carne.
- Retire quando a pele estiver dourada e crocante – o ponto ideal é quando o termômetro interno marca 75 °C.
Sirva com farofa, salada de maionese ou um purê de batata. Simples, rápido e delicioso.
Aspectos éticos e ambientais
É importante lembrar que a criação intensiva de frangos, mesmo que focada em genética, levanta questões sobre bem‑estar animal e uso de recursos. As empresas como Perdigão e Seara têm investido em programas de manejo mais humanizado e em redução do consumo de água e energia. Ainda assim, se a sua preocupação é ambiental, vale pesquisar se a marca possui certificações de sustentabilidade antes de comprar.
O futuro dos frangos de festa
Com a tecnologia de edição genética avançando, podemos esperar ainda mais opções personalizadas: frangos com menos gordura, mais proteína ou até com sabores específicos. Porém, a regulação brasileira ainda é bastante cautelosa, então a maioria das inovações ainda está nos estágios de pesquisa. Enquanto isso, o Chester e o Fiesta continuam sendo as escolhas mais acessíveis e confiáveis para quem quer garantir uma ceia farta sem complicações.
Resumo rápido para quem está com pressa
- Chester e Fiesta são frangos maiores por seleção genética (linhas A, B, C, D).
- Somente machos são usados, pois crescem mais.
- Custam menos que o peru e rendem mais carne utilizável.
- Preparo simples: temperar, assar a 200 °C por ~1h20.
- Fique atento à origem e certificações de sustentabilidade.
Agora que você já entende o que está por trás desses “gigantes” de Natal, pode escolher com tranquilidade e ainda impressionar a família com um prato saboroso e econômico. Boas festas e bom apetite!



