Quando eu li a última edição da Forbes, confesso que quase deixei o café cair. O número de bilionários menores de 30 anos que construíram fortunas do zero bateu recorde: 13 nomes, quase o dobro de 2022. E entre eles, a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, se destaca como a mulher mais jovem a chegar ao topo sem herança. Não é só um número impressionante; é um sinal de que o caminho para a riqueza está mudando radicalmente.
Por que esse aumento é tão relevante?
Até pouco tempo atrás, a narrativa dos super‑ricos girava em torno de famílias que acumulavam patrimônio ao longo de gerações. Hoje, a história que a Forbes traz mostra que a maioria desses jovens chegou ao bilhão graças a setores que praticamente não existiam há dez anos: inteligência artificial, mercados de previsão e apostas online.
Esses setores têm duas características que favorecem o crescimento explosivo:
- Escalabilidade digital: um produto ou serviço pode alcançar milhões de usuários com poucos recursos físicos.
- Barreiras de entrada baixas: com conhecimento técnico e acesso a capital de risco, um estudante pode fundar uma startup que vale bilhões.
Quem são esses 13 jovens?
Para dar uma ideia do perfil, aqui vai um resumo rápido – mas vale a pena mergulhar na história de cada um).
- Alexandr Wang (28) – CEO da Scale AI, empresa que rotula dados para treinar modelos de IA. A Meta comprou 49% da companhia por US$ 14 bi.
- Ed Craven (29) – Cofundador da Stake.com, cassino digital que explodiu durante a pandemia.
- Surya Midha (22) – Criou a Mercor, startup de recrutamento baseada em IA, avaliada em US$ 10 bi.
- Brendan Foody (22) – Outro cofundador da Mercor, agora CEO.
- Adarsh Hiremath (22) – CTO da Mercor.
- Fabian Hedin (26) – Fundou a Lovable, que permite criar sites com IA.
- Michael Truell (25), Aman Sanger (25), Sualeh Asif (25) e Arvid Lunnemark (26) – Todos ligados à Cursor, ferramenta de edição de código com IA.
- Luana Lopes Lara (29) – Cofundadora da Kalshi, plataforma de apostas sobre eventos futuros (eleições, indicadores econômicos).
- Tarek Mansour (29) – Também da Kalshi.
- Shayne Coplan (27) – Criador da Polymarket, outra plataforma de previsões que recebeu US$ 2 bi da Intercontinental Exchange.
O caso Luana Lara: como uma brasileira chegou ao topo?
Luana nasceu em São Paulo e estudou Engenharia de Computação. Em 2022, ainda estudante, percebeu que o mercado de previsões – que antes era domínio de grandes instituições financeiras – estava sendo democratizado por plataformas digitais. Junto a parceiros, lançou a Kalshi, que permite que qualquer pessoa aposte em resultados de eleições, índices de inflação ou até a temperatura média de uma cidade.
O diferencial? A combinação de tecnologia de IA para precificar eventos e um modelo regulatório que atraiu investidores institucionais. Em menos de três anos, a Kalshi já movimenta bilhões em apostas e foi avaliada em mais de US$ 1,3 bilhão, colocando Luana na lista dos bilionários sem herança.
O que isso significa para quem está começando agora?
Se você está na universidade, ou acabou de entrar no mercado de trabalho, a mensagem é clara: o caminho tradicional – subir na hierarquia de uma empresa tradicional – não é a única rota para a riqueza. Aqui vão alguns aprendizados práticos que tirei ao analisar esses casos:
- Invista em conhecimento técnico: dominar IA, ciência de dados ou desenvolvimento de software abre portas para criar produtos de alto valor.
- Foque em problemas reais: as startups acima resolveram dores concretas – recrutamento, codificação, previsões – e isso atraiu investidores.
- Busque capital de risco cedo: a maioria desses fundadores levantou milhões em rodadas seed ou Series A, o que acelerou a escalabilidade.
- Esteja pronto para pivotar: o mercado muda rápido; quem consegue adaptar o modelo de negócio sobrevive.
Desafios e críticas
Nem tudo são flores. O crescimento acelerado traz riscos:
- Regulação: plataformas de apostas e IA ainda enfrentam incertezas regulatórias que podem limitar operações.
- Concentração de poder: poucos gigantes de tecnologia podem dominar o ecossistema de dados, dificultando a competição.
- Pressão psicológica: ser bilionário aos 20‑e‑poucos traz uma carga de responsabilidade e exposição que pode ser esmagadora.
Essas questões são importantes porque, se você pretende seguir esse caminho, precisa estar preparado para lidar com elas – seja contratando bons advogados, seja construindo uma cultura corporativa saudável.
O futuro dos bilionários jovens
Se a tendência de 2025 for indicativa, nos próximos anos veremos ainda mais jovens entrando nesse clube exclusivo. A IA generativa, a realidade aumentada e a computação quântica são áreas que ainda estão nos estágios iniciais, mas prometem criar novos mercados bilionários.
Para quem acompanha o cenário, vale ficar de olho em:
- Startups que combinam IA com setores tradicionais (saúde, educação, energia).
- Plataformas de tokenização de ativos, que permitem negociar direitos sobre eventos futuros de forma descentralizada.
- Inovações em fintechs que simplificam acesso a investimentos globais.
Em resumo, o recorde de 13 bilionários menores de 30 anos sem herança não é apenas um número de capa de revista. É um reflexo de como a tecnologia está democratizando a criação de valor e abrindo oportunidades para quem tem visão, coragem e, claro, disposição para aprender rápido.
Se você ainda não se sente parte desse movimento, talvez seja hora de repensar onde está investindo seu tempo e energia. Quem sabe a próxima história de sucesso não seja a sua?



