Nos últimos meses, eu tenho acompanhado de perto as notícias sobre a Colômbia e, sinceramente, fiquei impressionado. O país acabou de registrar um crescimento de 3,6% no PIB no terceiro trimestre de 2025 – a maior alta desde o fim da pandemia – e ainda ficou entre as quatro maiores economias do mundo em 2025, segundo a The Economist. Mas, como tudo na vida, há dois lados da moeda. Neste post, quero dividir com você o que está impulsionando esse boom, onde estão os riscos e o que isso pode significar para quem pensa em investir, viajar ou simplesmente entender melhor a região.
O que está por trás do crescimento surpreendente?
Antes de mais nada, vale lembrar que o número de 3,6% não surgiu do nada. Vários fatores convergiram:
- Consumo público e privado em alta: O ex‑ministro da Fazenda, José Antonio Ocampo, destaca que o gasto do governo e o consumo das famílias deram um empurrão extra.
- Mercado de trabalho mais robusto: A taxa de desemprego chegou a 8,2%, a menor já registrada, e a maior parte dos novos empregos são formais.
- Valorização do peso colombiano: A moeda se fortaleceu frente ao dólar, reduzindo custos de importação e dando mais poder de compra ao consumidor.
- Setor agropecuário em movimento: Mesmo com desafios, a agricultura continua sendo um dos maiores empregadores e beneficia-se da alta dos preços do café.
Esses elementos criaram um círculo virtuoso: mais renda nas mãos das pessoas gera mais consumo, que por sua vez estimula a produção e a geração de empregos.
Mas nem tudo são flores
Os números positivos não escondem alguns sinais de alerta que os economistas apontam:
- Déficit fiscal alarmante: As contas públicas devem fechar 2025 com um déficit de cerca de 6,2% do PIB, muito acima da média brasileira (0,6%).
- Investimento estrangeiro estagnado: Há anos que o fluxo de capital externo está deprimido, o que pode comprometer a sustentação do crescimento.
- Dependência de gasto público: Parte do consumo privado parece estar ligada ao aumento de empregos no setor público, o que pode ser insustentável a longo prazo.
- Desafios no petróleo e mineração: Queda nos preços internacionais e aumento de impostos sobre hidrocarbonetos reduziram a atratividade desses setores.
Essas questões podem virar uma bola de neve se não forem tratadas com políticas fiscais mais rígidas.
O papel de Gustavo Petro e suas reformas
Quando o presidente de esquerda, Gustavo Petro, assumiu em 2022, muitos analistas previram um colapso econômico. Até agora, a realidade foi bem diferente: a economia seguiu crescendo, ainda que de forma moderada. Petro implementou algumas mudanças importantes:
- Reforma trabalhista que aumentou salários para trabalhadores formais, mas que também elevou encargos para as empresas.
- Propostas de aumento de impostos que não foram aprovadas pelo Congresso, limitando a capacidade de reduzir o déficit.
Embora essas medidas não tenham sido suficientes para resolver os problemas fiscais, elas mostraram que o governo está tentando equilibrar crescimento e justiça social.
O que o futuro pode reservar?
Com as eleições presidenciais marcadas para maio de 2026, o próximo líder da Colômbia terá um grande desafio nas mãos: fechar o déficit sem sufocar o consumo que tem sido o motor do crescimento. Analistas como Nicolás Barone, da Deloitte, sugerem que ajustes graduais – como cortes controlados nos gastos públicos e incentivos ao investimento privado – podem ser a chave.
Se o país conseguir estabilizar as contas e manter a confiança dos mercados, há boas chances de continuar reduzindo a informalidade (que ainda é alta) e a desigualdade, dois dos maiores entraves estruturais da nação.
Como isso impacta você?
Se você está pensando em viajar para a América Latina, a Colômbia pode oferecer um ambiente econômico mais estável e oportunidades de negócios interessantes. Para investidores, o país ainda tem um caminho a percorrer em termos de segurança jurídica e atração de capital estrangeiro, mas o cenário atual indica que há espaço para crescimento, especialmente nos setores de consumo, tecnologia e agronegócio.
Para quem acompanha a política econômica da região, a história colombiana serve como um lembrete de que números de crescimento podem ser enganosos se não forem acompanhados de análises sobre sustentabilidade fiscal e qualidade do emprego.
Resumo rápido
- PIB cresceu 3,6% no 3T/2025 – melhor desempenho da América Latina.
- Desemprego em 8,2% – menor histórico, com maioria de empregos formais.
- Déficit fiscal de 6,2% do PIB – ponto crítico a ser corrigido.
- Reformas de Petro ainda não resolveram o problema fiscal, mas não provocaram colapso.
- Próximas eleições (2026) definirão o rumo fiscal e econômico.
Em suma, a Colômbia está vivendo um momento de otimismo cauteloso. O crescimento é real, mas o caminho à frente exige disciplina fiscal e políticas que incentivem o investimento privado. Fique de olho, porque a próxima década pode transformar o país em um dos principais motores da América Latina.



