Se você acompanha a bolsa, deve ter sentido aquele misto de surpresa e curiosidade ao ver o Ibovespa fechar 2025 com alta de 33,95 %. É a melhor performance anual desde 2016, e o mais impressionante é que isso aconteceu num cenário de juros extremamente altos no Brasil – a Selic terminou o ano em 15 % ao ano, o maior nível em duas décadas.
Por que a bolsa subiu tanto?
Não foi um golpe de sorte. Foi o resultado de uma combinação de fatores internos e externos que, juntos, criaram um ambiente favorável para os investidores. Vou dividir esses motivos em blocos para ficar mais fácil de entender.
1. O efeito dos juros americanos
O Federal Reserve (Fed) cortou a taxa de juros dos EUA três vezes em 2025, levando-a de 4,25‑4,50 % para 3,50‑3,75 % ao ano – o menor patamar desde setembro de 2022. Quando os rendimentos das Treasuries caem, os investidores globais buscam alternativas mais rentáveis, e os mercados emergentes, como o Brasil, ganham destaque.
- Menor atratividade dos títulos seguros dos EUA.
- Fluxo de capital em busca de maiores retornos.
- O real se fortalece, ajudando empresas exportadoras.
Além disso, o governo americano sofreu um shutdown histórico, gerando dúvidas sobre a estabilidade fiscal dos EUA. Isso fez com que muitos investidores reconsiderassem a ideia de manter tudo em dólares.
2. Realocação de investimentos para o Brasil
Com a instabilidade política nos EUA (as tentativas de interferência de Donald Trump no Banco Central e as políticas de tarifaço), o Brasil apareceu como um porto seguro relativo. Mesmo com a Selic alta, as ações brasileiras estavam sendo negociadas bem abaixo dos níveis pré‑pandemia, o que as transformou em verdadeiras “pechinchas”.
- Empresas sólidas com múltiplos de preço atrativos.
- Expectativa de valorização quando a Selic cair.
- Resiliência frente às tensões comerciais EUA‑Brasil.
3. Expectativas de corte da Selic no Brasil
Especialistas apontam que a taxa básica deve começar a cair em 2026, chegando a cerca de 12,25 % ao ano. Essa perspectiva já está precificando ganhos futuros, o que incentiva a compra de ações agora, quando ainda estão baratas.
4. Contexto político interno
Com as eleições de 2026 no horizonte, o mercado acompanha de perto as discussões sobre contas públicas e política fiscal. Embora a preocupação com o déficit ainda exista, ela ficou em segundo plano diante da expectativa de ajustes após a eleição.
O que isso significa para o investidor comum?
Se você ainda não tem nada investido na bolsa, 2025 pode ser visto como um convite para começar. Mas, como sempre, é preciso cautela. Aqui vão alguns pontos práticos:
- Diversifique: não coloque todo o dinheiro em um único setor. O Ibovespa tem boa representatividade, mas setores como tecnologia, consumo e commodities podem reagir de forma diferente.
- Olhe para o longo prazo: a alta de 34 % não garante que o próximo ano será igual. A volatilidade costuma aumentar em períodos eleitorais.
- Fique de olho nos juros: se a Selic começar a cair, as ações tendem a subir ainda mais, mas se houver surpresa de aumento, pode haver correção.
- Considere fundos de índice (ETFs): são uma forma simples de ter exposição ao Ibovespa sem precisar escolher ações individuais.
Perspectivas para 2026
Analistas variam, mas a maioria acredita que o Ibovespa pode chegar entre 170 mil e 200 mil pontos até o fim de 2026. Essa projeção depende de três pilares:
- Cortes da Selic: se o Banco Central reduzir a taxa de forma consistente, o custo de oportunidade da renda fixa diminui, favorecendo a bolsa.
- Estabilidade política: um cenário de menos polarização pode reduzir a volatilidade e atrair mais investidores institucionais.
- Condições externas: se o Fed continuar a baixar juros, o fluxo de capitais para mercados emergentes deve permanecer forte.
Entretanto, há riscos: um retorno inesperado de políticas populistas, aumento da inflação ou um choque externo (como uma nova crise nos EUA) podem mudar o panorama rapidamente.
Conclusão: Por que a bolsa subiu mesmo com juros altos?
Em resumo, a alta do Ibovespa em 2025 foi impulsionada por:
- Juros americanos em queda, desviando capital para mercados emergentes.
- Preços atrativos das ações brasileiras, vistas como oportunidades de compra.
- Expectativas de corte da Selic no Brasil, que já estavam precificadas.
- Resiliência da economia brasileira frente a tensões comerciais.
Para quem pensa em investir, o momento é de analisar o próprio perfil de risco, montar uma estratégia diversificada e acompanhar de perto os indicadores macroeconômicos. A bolsa pode continuar subindo, mas a prudência nunca sai de moda.
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