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Jovens bilionários sem herança: o que o recorde de 2025 nos ensina sobre o futuro dos negócios

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Jovens bilionários sem herança: o que o recorde de 2025 nos ensina sobre o futuro dos negócios

Em 2025 a Forbes soltou um número que parece coisa de filme de ficção científica: 13 pessoas com menos de 30 anos já acumulavam mais de um bilhão de dólares, e nenhuma delas recebeu aquele empurrãozinho de família. Entre elas, a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, entrou na lista como a mulher mais jovem a chegar a esse patamar sem herança.

Mas, antes de mergulharmos nos detalhes de quem são esses jovens e como fizeram fortuna, vale a pena entender por que esse fenômeno merece nossa atenção. Não é só questão de números; é sobre como o jeito de criar riqueza está mudando, e isso tem reflexos diretos no nosso dia a dia, seja como estudante, profissional ou empreendedor.

## Por que tantos jovens bilionários de repente?

### Setores que nasceram nos últimos 10 anos

A lista da Forbes não é aleatória. Quase todos os nomes aparecem ligados a áreas que praticamente não existiam ou eram marginais há uma década: inteligência artificial (IA), mercados de previsão e apostas online. Quando a gente pensa em “bilionário”, a imagem que vem à cabeça costuma ser de magnatas do petróleo, bancos ou varejo tradicional. Agora, a realidade parece ter mudado.

– **Inteligência artificial**: nomes como Alexandr Wang (Scale AI) e a turma da Mercor (Surya Midha, Brendan Foody, Adarsh Hiremath) mostram que quem domina os dados e consegue transformar isso em produtos úteis tem um caminho rápido para o topo.
– **Apostas e previsões**: plataformas como Kalshi, fundada por Luana Lopes Lara e Tarek Mansour, e Polymarket, de Shayne Coplan, transformam a ideia de “apostar” em um negócio sério, usando blockchain e algoritmos para criar mercados de previsão que atraem investidores globais.
– **Codificação com IA**: startups como Lovable (Fabian Hedin) e Cursor (Michael Truell, Aman Sanger, Sualeh Asif, Arvid Lunnemark) demonstram que ferramentas que facilitam o desenvolvimento de software podem valer bilhões em poucos anos.

Esses setores têm duas características chave: **escala global** e **baixo custo marginal**. Uma vez que o produto está pronto, ele pode ser vendido para milhões de usuários sem precisar de fábricas, logística complexa ou grandes equipes. É a mesma lógica que fez o TikTok explodir: um algoritmo que entende o que a gente gosta e entrega conteúdo em segundos.

### O papel da pandemia

A pandemia acelerou a digitalização. Enquanto o mundo fechava lojas físicas, o consumo de serviços online disparava. Empresas como a Stake.com (cofundada por Ed Craven) aproveitaram a necessidade de entretenimento em casa para crescer rapidamente. Esse impulso deu a muitas startups a oportunidade de levantar capital em valores astronômicos, algo que antes levaria anos.

## O caso Luana Lopes Lara: de estudante a bilionária

Luana nasceu em São Paulo e, ao contrário de muitos jovens empreendedores que vêm de famílias com capital, ela construiu tudo do zero. Seu caminho começou na área de tecnologia, mas foi ao perceber que as pessoas sempre querem “apostar” no futuro que ela encontrou a brecha.

A Kalshi, plataforma de mercados de previsão, permite que usuários façam apostas sobre eventos como resultados de eleições, preços de commodities ou indicadores econômicos. O diferencial está na regulação: a empresa conseguiu licenças nos EUA, o que trouxe credibilidade e atraiu investidores institucionais.

O que podemos aprender com Luana?

1. **Identificar lacunas regulatórias** – Ela entrou num mercado que ainda era cinza na maioria dos países, mas que, ao ser regulamentado, abriu portas para grandes volumes de dinheiro.
2. **Construir uma equipe técnica sólida** – O sucesso da Kalshi depende de algoritmos que garantem transparência e segurança nas apostas.
3. **Buscar capital estratégico** – Em poucos anos, a empresa recebeu investimentos que elevaram sua avaliação para mais de US$ 1 bilhão.

## O que isso significa para quem ainda está começando?

### 1. Não subestime ideias “nicho”

Muitos de nós ainda acreditamos que para ser bilionário é preciso atender a um mercado massivo desde o início. A realidade mostra que nichos bem definidos, quando regulados ou apoiados por tecnologia, podem escalar rapidamente. Se você tem uma ideia que resolve um problema muito específico, pense em como a tecnologia pode tornar esse problema global.

### 2. Tecnologia como alavanca

A IA não é mais exclusividade de gigantes como Google ou Microsoft. Ferramentas de código aberto, APIs acessíveis e plataformas de nuvem permitem que um programador solo crie produtos competitivos. Aprender sobre IA, mesmo que de forma básica, já pode ser o diferencial que coloca seu projeto à frente.

### 3. Capital de risco está mais aberto a “novos mundos”

Investidores estão famintos por oportunidades que ainda não foram exploradas. Se você tem um modelo de negócios que combina regulação, tecnologia e demanda latente (como previsões de mercado ou automação de processos), vale a pena buscar mentoria e financiamento.

### 4. A importância da velocidade

A diferença entre quem chega a um bilhão e quem fica na faixa dos milhões muitas vezes está na velocidade de execução. Enquanto a Scale AI fechava acordos com grandes players, a Mercor já estava lançando versões beta para testar o mercado. Não espere a perfeição; lance, aprenda, itere.

## Riscos e críticas

É fácil ficar empolgado, mas também há sombras nesse cenário. O crescimento explosivo pode gerar bolhas, especialmente em setores ainda pouco regulados como apostas online. Além disso, a concentração de riqueza em mãos tão jovens levanta questões sobre governança e responsabilidade social.

– **Bolhas de avaliação**: Se o mercado mudar de direção, avaliações de dezenas de bilhões podem despencar rapidamente.
– **Desigualdade**: Enquanto alguns poucos acumulam fortunas, a maioria ainda luta para pagar contas. A concentração de riqueza pode ampliar a lacuna social.
– **Regulação**: O que hoje é permitido pode ser proibido amanhã. Empresas como Kalshi dependem de um ambiente regulatório estável.

Esses pontos são importantes para quem pensa em seguir o mesmo caminho: não basta ter uma ideia brilhante; é preciso estar preparado para lidar com mudanças de política, competição acirrada e pressões públicas.

## Olhando para o futuro

Se 2025 já bateu recorde, o que esperar nos próximos anos? A tendência é que a lista de jovens bilionários continue crescendo, especialmente à medida que a IA se infiltra em mais setores – saúde, educação, energia. Também podemos ver novos tipos de mercado surgindo, como plataformas de tokenização de ativos reais ou soluções de sustentabilidade baseadas em blockchain.

Para nós, leitores que ainda estão construindo carreiras ou pensando em empreender, a mensagem principal é clara: **a oportunidade está na interseção entre tecnologia, regulação e necessidades reais do mercado**. Não é preciso nascer em família rica; basta ter visão, coragem e disposição para aprender rápido.

Então, da próxima vez que alguém disser que “bilionário é coisa de outro mundo”, lembre‑se de Luana Lopes Lara, Alexandr Wang e companhia. Eles mostraram que, com as ferramentas certas e um pouco de ousadia, o futuro pode ser muito mais acessível do que imaginávamos.

**E você, já tem alguma ideia que poderia transformar um nicho em um negócio bilionário?** Não precisa ser algo gigantesco agora; comece pequeno, teste, ajuste e, quem sabe, em 2027 você pode estar na próxima lista da Forbes.

*Este texto traz uma análise baseada nos dados da Forbes de 2025 e tem o objetivo de inspirar e informar leitores interessados em empreendedorismo, tecnologia e tendências de mercado.*