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Larry Ellison entra na briga pelo catálogo da Warner: o que isso significa para o futuro do streaming no Brasil

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Larry Ellison entra na briga pelo catálogo da Warner: o que isso significa para o futuro do streaming no Brasil

Um nome inesperado na disputa

Se você acompanha as notícias de tecnologia e entretenimento, provavelmente já ouviu falar de Larry Ellison, o cofundador da Oracle. Mas quem diria que ele iria aparecer de forma tão direta numa guerra que envolve gigantes do cinema e do streaming? Recentemente, Ellison ofereceu uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para apoiar a proposta da Paramount Skydance de comprar a Warner Bros. Discovery por US$ 108,4 bilhões. Essa movimentação mudou o tom da disputa e traz várias implicações para quem, como eu, consome conteúdo online.

Entendendo a jogada

A Paramount apresentou uma oferta de US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro – um valor maior que o da Netflix, que propôs US$ 28,50 por ação. O problema? A proposta da Paramount depende de um financiamento mais complexo, envolvendo a assunção de dívidas da Warner e a necessidade de levantar recursos adicionais no mercado.

É aí que entra Ellison. Ele garantiu, com seu próprio patrimônio, que cobrirá qualquer lacuna no financiamento. Em termos práticos, isso funciona como um seguro: se a Paramount não conseguir levantar todo o dinheiro, Ellison paga a diferença. O objetivo é dar mais segurança ao conselho da Warner, que até então estava inclinado a aceitar a oferta da Netflix por ser mais simples e menos arriscada.

Por que a Warner se importa tanto com a solidez financeira?

  • Risco de falha no pagamento: se a Paramount não conseguir honrar o valor total, a Warner poderia ficar sem recursos para pagar dívidas ou investir em novos projetos.
  • Impacto nos acionistas: uma proposta que parece boa no papel pode se transformar em dor de cabeça se houver atrasos ou renegociações.
  • Estratégia de longo prazo: a Warner quer garantir que o comprador tenha capacidade de manter e expandir seu catálogo, que inclui franquias como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis” (via New Line) e a biblioteca da HBO.

Com a garantia de Ellison, a Paramount tenta mostrar que tem respaldo financeiro suficiente para fechar o negócio, reduzindo essas preocupações.

O que muda para nós, consumidores brasileiros?

Você pode estar se perguntando: “E eu, que assisto séries na Netflix ou na Amazon, como isso me afeta?” A resposta está na chamada “guerra do streaming”. Quem controlar a Warner terá acesso a um dos maiores catálogos de conteúdo do mundo, o que pode gerar:

  1. Novas plataformas ou serviços: a empresa vencedora pode lançar um serviço próprio no Brasil, oferecendo filmes e séries exclusivas.
  2. Preços diferentes: com mais poder de barganha, o novo dono pode negociar pacotes de conteúdo mais baratos ou, ao contrário, subir preços para recuperar investimentos.
  3. Mais produção local: grandes players costumam investir em conteúdo regional para atrair assinantes. Uma Warner mais forte pode significar mais séries brasileiras em produção.

Além disso, a proposta da Netflix inclui um compromisso de manter lançamentos nos cinemas, algo que pode beneficiar o mercado brasileiro de salas de exibição, ainda em recuperação pós‑pandemia.

Prós e contras da garantia de Ellison

Prós:

  • Reduz a incerteza financeira da proposta da Paramount.
  • Mostra que investidores de peso acreditam no valor da Warner.
  • Pode pressionar o conselho da Warner a reconsiderar a preferência pela Netflix.

Contras:

  • Mesmo com a garantia, ainda resta a necessidade de levantar recursos no mercado.
  • Ellison não está envolvido na gestão da Paramount, então seu comprometimento pode ser visto como “apenas um apoio pontual”.
  • Se a transação falhar, pode haver repercussões negativas no mercado de mídia, afetando ações e investimentos.

Qual o cenário provável?

Analistas apontam que, apesar da oferta mais alta da Paramount, a Netflix ainda tem vantagem em termos de clareza e menor risco. O acordo da Netflix prevê US$ 72 bilhões em pagamento direto aos acionistas e a assunção de dívidas, tudo bem estruturado.

Entretanto, a garantia de Ellison pode mudar a percepção do conselho da Warner. Se a Paramount conseguir demonstrar que o financiamento está realmente assegurado, o conselho pode rever sua recomendação. Até lá, o mercado continuará volátil, com os preços das ações da Warner, Paramount e Netflix reagindo a cada nova notícia.

O que fazer enquanto tudo isso se desenrola?

Para quem tem investimentos em ações de mídia, vale a pena acompanhar de perto os comunicados oficiais da Warner e das duas concorrentes. Se você ainda não tem, considere diversificar: fundos de mídia ou ETFs que incluam essas empresas podem ser menos arriscados do que comprar ações individuais.

Se o seu foco é o consumo de conteúdo, fique de olho nas mudanças de catálogo nas plataformas que você já usa. À medida que a disputa evolui, pode haver migrações de títulos entre serviços, ou até lançamentos exclusivos que mudem sua escolha de assinatura.

Conclusão

A entrada de Larry Ellison na disputa pela Warner é mais do que um detalhe de bastidores; é um sinal de que o controle de conteúdo está se tornando cada vez mais estratégico. Para nós, brasileiros, isso pode significar novas opções de streaming, preços diferentes e, quem sabe, mais produção nacional.

Enquanto o conselho da Warner decide, o melhor caminho é manter-se informado, analisar as opções de investimento e, claro, aproveitar o que há de melhor em entretenimento – seja na Netflix, Paramount+, HBO Max ou em qualquer outra plataforma que surgir desse grande jogo de xadrez corporativo.