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Espumante, Moscatel ou Frisante? Descubra qual escolher na virada

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Espumante, Moscatel ou Frisante? Descubra qual escolher na virada

Chegou a época de abrir garrafas, brindar e, claro, escolher a bebida borbulhante que vai acompanhar a noite de Ano Novo. Eu sempre fico meio perdido entre espumante, moscatel e frisante, porque, à primeira vista, parecem a mesma coisa: vinhos com bolhas. Mas, depois de conversar com o enólogo Ricardo Morari e pesquisar um pouco, percebi que cada um tem sua própria identidade, que vai desde a forma como são produzidos até o teor de açúcar que vai direto ao paladar.

O que realmente diferencia espumante, moscatel e frisante?

Antes de mergulhar nas dicas de harmonização, vale a pena entender as três bases fundamentais que separam essas bebidas: a fermentação, o tipo de uva e a maneira como as bolhas são criadas.

  • Espumante: tem duas fermentações. A primeira transforma o açúcar do mosto em álcool, gerando o vinho base. A segunda, que acontece em garrafa (método tradicional) ou em tanque (método Charmat), é que produz o CO₂ responsável pelas bolhas. O resultado são bolhas finas e persistentes, além de um perfil que pode variar de seco a doce, dependendo do teor de açúcar residual.
  • Moscatel: aqui a história muda. Não há vinho base. O mosto de uvas moscatel (geralmente da variedade Moscatel de Alexandria ou Moscatel de Setúbal) passa por uma única fermentação em tanques fechados, que impede que o gás carbônico escape. Quando o álcool atinge entre 7% e 10%, a fermentação é interrompida, deixando um teor de açúcar bem mais alto. O resultado é um espumante doce, aromático e com bolhas mais suaves.
  • Frisante: a diferença está nas bolhas. Elas são, na maioria das vezes, injetadas artificialmente, como acontece nos refrigerantes. Existem frisantes naturais, que retêm CO₂ da fermentação, mas, em geral, eles têm menos gás que o espumante e o moscatel, o que gera uma sensação de efervescência mais leve.

Teor de açúcar: o que a lei diz (e o que realmente acontece)

Um ponto que costuma gerar confusão é o teor de açúcar. No Brasil, a legislação define limites para espumante e frisante, mas o moscatel é a exceção: não há um teto oficial. Mesmo assim, a prática do mercado costuma limitar a 80 g de açúcar por litro, o que ainda assim deixa a bebida bem mais doce que os espumantes secos (Brut).

Essas categorias são rotuladas da seguinte forma:

  • Brut: até 12 g/L de açúcar residual – o clássico seco.
  • Seco: entre 12 g e 30 g/L – ainda seco, mas com um leve toque de doçura.
  • Meio‑seco: 30 g a 50 g/L – começa a ser perceptível.
  • Doce ou Demi‑Sec: acima de 50 g/L – para quem gosta de sabores mais intensos.

Como escolher a bebida ideal para a sua festa?

Agora que você já sabe como cada tipo nasce, a escolha passa a ser mais prática. Pense no clima da sua celebração, no cardápio e no perfil dos convidados.

1. Se a ideia é elegância e tradição

Um espumante brut ou seco costuma ser o “coringa” das festas. As bolhas finas dão aquele toque de sofisticação, e o sabor seco combina bem com aperitivos salgados, como canapés de salmão, queijos curados e frutos do mar. Além disso, por ter duas fermentações, o espumante costuma ter maior complexidade aromática – notas de maçã verde, brioche ou até flores brancas, dependendo da uva (Chardonnay, Pinot Noir, etc.).

2. Se o seu público prefere algo mais doce e aromático

Aqui entra o moscatel. Por ser naturalmente doce e perfumado, ele combina perfeitamente com sobremesas: tortas de frutas, pudins, ou até um simples prato de frutas frescas. É também uma ótima pedida para quem não está acostumado com vinhos secos, porque o açúcar suaviza a acidez e deixa a experiência mais acessível.

3. Se a vibe é descontraída e informal

O frisante pode ser a escolha certeira. Por ter menos gás, ele não “agita” tanto a boca, o que o torna ideal para quem quer algo refrescante, quase como um espumante leve. Sirva-o gelado ao lado de petiscos rápidos – amendoim, batata chips ou mini sanduíches – e deixe que a conversa flua sem a formalidade de um espumante clássico.

Dicas práticas de serviço

  • Temperatura: Espumante e frisante devem ser servidos entre 6 °C e 8 °C. Moscatel, por ser mais doce, pode ficar um pouquinho mais quente, entre 8 °C e 10 °C, para liberar aromas.
  • Taças: Use taças estreitas para espumante (flute) – elas mantêm as bolhas por mais tempo. Para moscatel, uma taça de vinho branco ou até mesmo uma taça de sobremesa funciona bem. Frisante pode ser servido em copos de vinho tinto ou copos de água.
  • Armazenamento: Se a garrafa ainda não foi aberta, guarde-a em posição horizontal, como qualquer vinho. Depois de aberta, use um rolha própria para espumantes e consuma em até 48 h para não perder a efervescência.

Um olhar para o futuro das borbulhas brasileiras

Nos últimos anos, a produção nacional tem ganhado destaque. Regiões como Vale dos Vinhedos (RS) e a Serra Gaúcha vêm investindo em técnicas de método tradicional, trazendo espumantes de alta qualidade que competem com os franceses. O moscatel, por sua vez, tem se tornado um carro-chefe das festas de fim de ano, graças à sua doçura natural e ao perfil aromático que agrada a um público amplo.

O frisante ainda tem espaço para crescer, principalmente com a tendência de drinks mais leves e com menor teor alcoólico. Imagine um coquetel à base de frisante, frutas vermelhas e um toque de hortelã – perfeito para quem quer celebrar sem exageros.

Resumo rápido

  • Espumante: duas fermentações, bolhas finas, pode ser seco ou doce.
  • Moscatel: fermentação única, alta doçura, aromas intensos.
  • Frisante: gás injetado, menos efervescente, ideal para momentos descontraídos.

Na próxima festa, experimente escolher a bebida de acordo com o cardápio e o clima. Assim, você garante que cada gole complemente a experiência, seja ela elegante, doce ou super casual. E, claro, não esqueça de brindar com moderação – o melhor da vida é celebrar, mas sempre com responsabilidade.

Feliz Ano Novo e boas borbulhas!