Se você costuma ficar de olho na conta de luz todo fim de mês, vai respirar aliviado ao saber que, para janeiro de 2026, a Aneel decidiu acionar a bandeira verde. Mas o que isso realmente significa para o nosso bolso e, mais importante, para o jeito como usamos energia?
O que é a bandeira tarifária?
A bandeira tarifária funciona como um semáforo que indica o custo real da geração de energia no país. Quando a água dos reservatórios está alta e as hidrelétricas conseguem gerar energia de forma barata, a bandeira fica verde – nada de cobrança extra. Quando a situação piora, surgem as bandeiras amarela e vermelha, que adicionam tarifas à conta.
Como chegamos à bandeira verde em janeiro?
Nos últimos meses, o cenário foi bem diferente. Em novembro, a bandeira era vermelha patamar 1 (custo extra de R$ 4,46 a cada 100 kWh) e, em dezembro, mudou para amarela (R$ 1,88 a cada 100 kWh). Essa variação aconteceu porque as chuvas estavam abaixo da média histórica, o que forçou o acionamento de usinas termelétricas – mais caras e, portanto, mais caras na conta.
Mas, segundo a própria Aneel, o panorama mudou nos últimos dias de 2025. Apesar das chuvas ainda estarem abaixo da média, o volume de água nos reservatórios se estabilizou, permitindo que as hidrelétricas voltem a operar em níveis confortáveis. Como resultado, não será necessário despachar tantas usinas termelétricas em janeiro, e a bandeira volta ao verde.
Por que isso importa para você?
- Economia direta: sem cobrança extra, a conta de energia pode ficar alguns reais a menos, dependendo do seu consumo.
- Planejamento doméstico: saber que janeiro será mais barato ajuda a organizar o orçamento, principalmente para quem tem despesas fixas apertadas.
- Consciência ambiental: a bandeira verde reflete um cenário de maior uso de energia limpa (hidrelétrica), o que é bom para o planeta.
Mas atenção: a bandeira verde não é garantia eterna
O clima brasileiro é imprevisível. Se as chuvas falharem novamente nos próximos meses, a Aneel pode acionar a bandeira amarela ou vermelha já em fevereiro. Por isso, mesmo com a boa notícia, vale manter alguns hábitos que ajudam a economizar energia:
- Desligue luzes e aparelhos que não estejam em uso.
- Use lâmpadas LED, que consomem até 80% menos energia.
- Aproveite a luz natural sempre que possível.
- Regule o ar‑condicionado e o aquecedor para temperaturas moderadas.
Um panorama histórico
Desde 2019, a bandeira amarela só foi acionada em dezembro de 2025. Antes disso, entre setembro de 2021 e abril de 2022, o Brasil enfrentou a chamada bandeira de escassez hídrica, quando as chuvas foram tão baixas que praticamente todas as hidrelétricas operavam abaixo da capacidade.
Esses períodos são importantes porque mostram como a matriz energética do país ainda depende muito da água. Quando os reservatórios ficam críticos, o governo recorre a usinas termelétricas a gás ou carvão, que são mais caras e poluentes.
O que a Aneel recomenda?
Mesmo em tempos de bandeira verde, a agência reforça a importância do consumo consciente. Cada quilowatt‑hora economizado ajuda a preservar os recursos naturais e a reduzir a necessidade de acionamento de usinas caras. Além disso, consumidores que adotam práticas de eficiência energética podem ter acesso a programas de incentivo e descontos.
Impacto regional: o caso de São Paulo
Um dos pontos que costuma influenciar bastante o cálculo da bandeira são os reservatórios da região Sudeste, especialmente os de São Paulo. A usina Hidroelétrica Engenheiro Sérgio Motta, em Rosana (SP), é um exemplo de infraestrutura que beneficia o estado quando as chuvas são boas. Por isso, a menção a São Paulo no nosso artigo não é por acaso – a situação dos reservatórios paulistas tem peso direto na decisão da Aneel.
O que esperar nos próximos meses?
Com a bandeira verde em janeiro, o cenário parece favorável, mas é prudente ficar de olho nas previsões climáticas. Se a tendência de chuvas melhorar, podemos manter a bandeira verde por mais alguns meses. Caso contrário, a bandeira amarela pode voltar já em fevereiro.
Para quem gosta de acompanhar de perto, a Aneel costuma publicar relatórios mensais com a previsão de bandeira. Vale dar uma olhadinha no site da agência ou nas notícias de energia para não ser pego de surpresa.
Resumo rápido
- Bandeira verde em janeiro de 2026: sem custo extra.
- Custos das outras bandeiras: amarela R$ 1,88/100 kWh, vermelha 1 R$ 4,46/100 kWh, vermelha 2 R$ 7,87/100 kWh.
- Por que mudou? Reservatórios estáveis, menos necessidade de termelétricas.
- Dicas de economia: desligar aparelhos, usar LED, regular temperatura.
- Fique atento: a situação pode mudar rapidamente com o clima.
Em resumo, a boa notícia de janeiro traz alívio imediato, mas a mensagem principal é: continuar consumindo energia de forma responsável. Assim, além de economizar dinheiro, você ajuda a garantir que o Brasil mantenha um mix energético mais limpo e sustentável.



