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Aeronautas dão um basta à greve: o que mudou e o que isso significa para quem viaja

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Aeronautas dão um basta à greve: o que mudou e o que isso significa para quem viaja

## Por que a greve dos aeronautas estava na agenda?

Se você acompanha as notícias do setor de aviação, já deve ter visto a discussão sobre uma possível paralisação dos aeronautas – pilotos, copilotos e comissários – que poderia atrapalhar milhares de voos. A ideia de greve sempre gera preocupação: atrasos, cancelamentos e, claro, um monte de gente presa no aeroporto. Mas, nesta semana, o clima mudou. O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) aprovou a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para 2025‑2026 e, com isso, a assembleia que decidiria sobre a greve foi cancelada.

## Como chegou o acordo?

A negociação foi mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e contou com a participação de milhares de aeronautas em votação eletrônica. O resultado? **65,93 % a favor**, 32,77 % contra e 1,29 % de abstenção. Ou seja, a maioria decidiu que vale mais a pena aceitar o acordo do que arriscar uma paralisação.

### Principais pontos do acordo

– **Reajuste salarial**: INPC + 0,5 % (total de 4,68 % de aumento). Essa fórmula acompanha a inflação e ainda garante um acréscimo extra.
– **Vale‑alimentação**: aumento de 8 % no benefício, algo que faz diferença no dia a dia de quem passa longas horas longe de casa.
– **Validade**: a CCT será válida para 2025 e 2026, trazendo estabilidade jurídica para o setor.

## O que isso muda para quem viaja?

### Menos risco de interrupções

A principal preocupação dos passageiros é a possibilidade de voos cancelados ou atrasados. Com o acordo, a categoria evita a greve e, consequentemente, mantemos a regularidade dos serviços. Isso significa menos dor de cabeça para quem tem compromissos importantes ou férias planejadas.

### Possível impacto nos preços das passagens?

Alguns temem que o aumento salarial possa ser repassado às tarifas. Na prática, o reajuste de 4,68 % é relativamente modesto e está atrelado à inflação. As companhias aéreas já trabalham com margens apertadas, mas também há um argumento de que a estabilidade nas relações de trabalho pode evitar custos inesperados – como multas ou indenizações por interrupções – que, por sua vez, poderiam subir o preço das passagens.

### Qualidade do serviço

Quando os profissionais se sentem valorizados, a tendência é que o atendimento melhore. Um vale‑alimentação maior e um salário que acompanha a inflação podem reduzir o estresse da tripulação, refletindo em um serviço mais atencioso a bordo.

## Por que o Ministério de Portos e Aeroportos comemorou?

O Ministério destacou que o acordo “garante segurança jurídica e estabilidade para o setor”. Em termos simples, isso quer dizer que as companhias aéreas podem planejar suas operações com mais certeza, sem temer uma greve repentina. Para o governo, isso se alinha ao objetivo de apoiar o forte crescimento da aviação brasileira, que tem sido um dos pilares da mobilidade nacional.

## Um olhar histórico: greves na aviação brasileira

A aviação no Brasil já passou por momentos de tensão. Em 2022, por exemplo, aeronautas fizeram uma paralisação no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (São Paulo). Na época, a greve gerou atrasos significativos e trouxe à tona a necessidade de um acordo mais sólido. Desde então, o SNA tem buscado negociar de forma preventiva, evitando que a situação chegue a um ponto crítico.

## Prós e contras do acordo

### Prós

– **Estabilidade**: empresas e passageiros sabem que não haverá greves nos próximos dois anos.
– **Valorização**: aumento salarial e de benefícios demonstra reconhecimento da categoria.
– **Previsibilidade**: o TST como mediador traz credibilidade ao processo.

### Contras

– **Reajuste limitado**: alguns aeronautas acharam que 4,68 % não compensa o custo de vida em alta.
– **Abstenção**: 1,29 % de votos vazios pode indicar falta de engajamento ou dúvidas sobre o processo.
– **Possível repasse de custos**: há risco de que as companhias repassem parte do aumento ao preço das passagens.

## O que fazer se você for passageiro?

1. **Fique atento às notícias**: embora a greve tenha sido cancelada, mudanças nas políticas de empresas podem ocorrer.
2. **Planeje com antecedência**: se for viajar em períodos de alta demanda (feriados, férias escolares), reserve com antecedência para garantir preços melhores.
3. **Use aplicativos de monitoramento**: eles avisam em tempo real sobre atrasos ou cancelamentos.
4. **Considere seguros de viagem**: em caso de imprevistos, eles podem cobrir despesas adicionais.

## E para quem trabalha na aviação?

– **Aproveite o reajuste**: revise seu planejamento financeiro, pois o aumento pode abrir espaço para investimentos ou quitar dívidas.
– **Fique de olho nos próximos acordos**: a CCT cobre até 2026, mas já há discussões sobre 2027. Participar das assembleias é fundamental.
– **Invista em capacitação**: com a estabilidade, pode ser um bom momento para buscar cursos de atualização ou especialização.

## Olhando para o futuro da aviação no Brasil

A aviação brasileira está em fase de expansão. Novas rotas, aeroportos modernizados e a entrada de companhias de baixo custo aumentam a competitividade. Nesse cenário, a relação entre empregadores e empregados precisa ser equilibrada. O acordo de 2025‑2026 mostra que a mediação do TST pode ser eficaz, mas também revela que ainda há espaço para melhorar a negociação de benefícios.

Se a tendência de crescimento continuar, podemos esperar mais investimentos em tecnologia (como sistemas de check‑in automatizados) e em treinamento de pessoal. Isso pode significar ainda mais segurança e conforto para os passageiros, mas também exigirá que os aeronautas estejam bem preparados e devidamente remunerados.

## Conclusão

O cancelamento da assembleia para votar greve dos aeronautas foi, antes de tudo, um alívio para quem depende do transporte aéreo. O acordo firmado traz um reajuste salarial moderado, um aumento no vale‑alimentação e, sobretudo, estabilidade para os próximos dois anos. Para o passageiro, isso se traduz em menos risco de interrupções e, possivelmente, em um serviço de bordo mais tranquilo. Para os profissionais, representa reconhecimento e segurança jurídica.

Como em qualquer negociação, há quem ache que o acordo poderia ser melhor, mas, no geral, ele cumpre o papel de manter o setor em movimento – literalmente. Continuaremos acompanhando as próximas etapas e, claro, trazendo informações úteis para quem viaja ou trabalha nas alturas.

*E você, já percebeu alguma mudança no atendimento das companhias aéreas nos últimos meses? Deixe seu comentário e compartilhe a experiência!*