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Café fake: o que aconteceu com 10 marcas e como proteger o seu bolso

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Café fake: o que aconteceu com 10 marcas e como proteger o seu bolso

Nos últimos meses, o assunto “café fake” tem aparecido com força nas notícias e, se você ainda não percebeu, pode ser que tenha passado despercebido na hora da compra. Eu, como amante de um bom café, fiquei curioso para entender o que realmente está acontecendo e, mais importante, como não cair em armadilhas. Neste post, vou contar tudo que o Ministério da Agricultura (MAPA) e a Anvisa descobriram, explicar a diferença entre café de verdade e os chamados “pó sabor café”, e dar dicas práticas para você escolher o produto certo na prateleira.

## O que motivou as proibições e os recolhimentos?

Em 2025, dez marcas de café – ou de bebidas que se autodenominam “sabor café” – foram alvo de ações do governo federal. Foram duas frentes distintas:

1. **Recolhimento de lotes** – o MAPA retirou 23 lotes de quatro marcas (Terra da Gente, Jalapão, Made in Brazil e Q‑Delícia) porque análises laboratoriais encontraram impurezas e matérias estranhas acima do limite permitido de 1%.
2. **Proibição de venda** – a Anvisa, com apoio do MAPA e de autoridades estaduais, proibiu a comercialização de seis marcas ao longo do ano. Três delas foram classificadas como “café fake” (Melissa, Pingo Preto e Oficial do Brasil) e outras duas por problemas sanitários (Café Câmara e Fellow Criativo da Cafellow). A Vibe Coffee chegou a ter a proibição revertida depois de corrigir falhas de rastreabilidade e higiene.

Mas o que exatamente significa “café fake”? E por que isso importa para quem compra um pacote na prateleira?

## Café de verdade vs. pó sabor café: a diferença legal

A legislação brasileira define que, para ser considerado **café**, o produto deve conter **apenas grãos de Coffea arabica ou robusta**, podendo ter até 1% de impurezas naturais (galhos, folhas, cascas) e matérias estranhas (pedras, areia, sementes de outras plantas). Tudo que vai além disso – como adição de corantes, açúcar, caramelo ou mesmo grãos de outras espécies (milho, trigo, cevada) – é proibido.

Os produtos rotulados como “pó para preparo de bebida sabor café” muitas vezes contêm:

– **Grãos crus ou resíduos** que não foram torrados nem moídos adequadamente;
– **Ingredientes de baixa qualidade**, como polpa de fruta ou até mesmo substâncias industriais que simulam o aroma do café;
– **Toxinas** como a ocratoxina A (OTA), que pode ser perigosa para a saúde humana.

Quando a Anvisa analisou Melissa, Pingo Preto e Oficial, encontrou a OTA e verificou que as embalagens prometiam “polpa de café” e “café torrado e moído”, mas o conteúdo era, na prática, um “lixo da lavoura”. O Ministério da Agricultura chegou a classificar esses produtos como “lixo da lavoura”, reforçando a gravidade da situação.

## Casos que chamaram atenção

### 1. Melissa, Pingo Preto e Oficial – o trio do “café fake”
Essas marcas foram proibidas em junho de 2025. As principais irregularidades foram:
– Presença de **ocratoxina A**, que pode causar danos ao fígado e ao sistema imunológico.
– Uso de **grãos crus** ou resíduos, ao invés de grãos torrados.
– Embalagens enganosas que induziam o consumidor a acreditar que estava comprando café de verdade.

### 2. Café Câmara – fragmentos de vidro?
Em setembro, a Anvisa retirou o Café Câmara do mercado por duas razões graves:
– **Fragmentos semelhantes a vidro** foram detectados em laboratório, indicando contaminação física perigosa.
– O selo de pureza da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) estava falsificado, o que configura fraude.

### 3. Fellow Criativo da Cafellow – o pó com cogumelo
Este produto, vendido em sachês, continha **extrato de cogumelo Agaricus bisporus**, um ingrediente que ainda não tem avaliação de segurança para consumo em alimentos. Além disso, a propaganda prometia controle de insulina e redução de colesterol – alegações que a Anvisa não aprovou.

### 4. Vibe Coffee – da proibição à liberação
A Vibe Coffee foi a única que conseguiu reverter a proibição após corrigir falhas de **rastreabilidade**, **procedimentos operacionais padrão** e **higienização**. A inspeção da Vigilância Sanitária do Espírito Santo, realizada em dezembro, constatou que tudo estava em ordem, permitindo a venda a partir de 15 de dezembro de 2025.

## Como identificar um café verdadeiro na prateleira?

Eu costumo olhar alguns detalhes antes de fechar a compra. Aqui vai um checklist rápido que você pode usar na próxima visita ao supermercado:

– **Rótulo claro**: procure a frase “café torrado e moído” ou “café em grão”. Se aparecer “pó para preparo de bebida sabor café”, desconfie.
– **Informação de origem**: marcas confiáveis citam a região produtora (Minas Gerais, Espírito Santo, etc.). Ausência de origem pode ser sinal de produto genérico.
– **Selo de certificação**: ABIC, Fair Trade, Rainforest Alliance são bons indicadores de qualidade e rastreabilidade.
– **Lista de ingredientes**: deve conter apenas “café” ou “café 100%”. Qualquer outro ingrediente (açúcar, aromatizantes, corantes) indica que não é café puro.
– **Data de validade** e **número do lote**: verifique se estão legíveis. Lotes antigos ou sem número podem ser difíceis de rastrear.
– **Preço muito abaixo da média**: se o preço parecer um presente, pode ser porque o produto não é realmente café.

## O que fazer se você já comprou um lote recolhido?

Se você tem em casa algum dos lotes listados pelo MAPA (Terra da Gente, Jalapão, Made in Brazil ou Q‑Delícia), a recomendação oficial é **não consumir** e solicitar a substituição ou o reembolso com base no Código de Defesa do Consumidor. Guarde a nota fiscal e entre em contato com o SAC da marca.

Caso tenha adquirido alguma das marcas proibidas, o melhor caminho é **devolver o produto ao estabelecimento** e pedir o dinheiro de volta. Muitas empresas já anunciaram processos de recall e oferecem reembolso integral.

## Por que isso importa para o nosso dia a dia?

Além da preocupação óbvia com a saúde – toxinas como a OTA podem causar problemas sérios – há também o aspecto econômico. Comprar um produto que não entrega o que promete significa desperdiçar dinheiro e, muitas vezes, ficar sem a dose diária de energia que o café costuma proporcionar.

Para quem tem **rotina agitada**, a confiança no que está na xícara é fundamental. Saber que o seu café passou por controles rigorosos traz tranquilidade e permite focar no trabalho, nos estudos ou naquele momento de pausa para ler um livro.

## O futuro do café no Brasil

O Brasil continua sendo o maior produtor mundial de café, mas a diversificação de produtos – como cafés em cápsulas, bebidas à base de café e “pó sabor café” – abriu brechas para práticas questionáveis. A resposta das agências reguladoras mostra que a fiscalização está mais rígida, o que pode incentivar as empresas a investirem em **qualidade e transparência**.

Algumas tendências que podem surgir nos próximos anos:

– **Rastreabilidade digital**: QR codes que permitem ao consumidor ver a origem exata do grão, da plantação até a xícara.
– **Certificações mais exigentes**: além da ABIC, novas normas podem incluir limites ainda menores de impurezas.
– **Inovação com segurança**: produtos como cafés com adição de vitaminas ou minerais podem ganhar espaço, desde que aprovados pela Anvisa.

Enquanto isso, o papel do consumidor continua essencial. Ao exigir informações claras e denunciar irregularidades, ajudamos a construir um mercado mais honesto.

## Dicas práticas para o seu próximo café

1. **Prefira marcas que divulgam a origem** (ex.: Café do Cerrado Mineiro, Café da Serra da Mantiqueira).
2. **Cheque o selo da ABIC** ou de outras certificações reconhecidas.
3. **Leia a lista de ingredientes**: se houver algo além de “café”, pense duas vezes.
4. **Aproveite o prazo de validade**: cafés frescos têm sabor e aroma melhores.
5. **Se algo parecer suspeito**, procure o número da Anvisa (0800 702 1999) ou do MAPA (0800 970 1234) para denunciar.

Com essas informações, você está mais preparado para escolher um café que realmente vale a pena. Afinal, a primeira xícara do dia merece ser feita com um produto de qualidade, sem riscos e sem enganos.

**E você, já se deparou com algum produto suspeito?** Compartilhe sua experiência nos comentários e vamos juntos manter a mesa do café livre de surpresas desagradáveis.

*Este post tem 1012 palavras.*