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Larry Ellison entra na guerra do streaming: o que a garantia de US$ 40,4 bi significa para a Warner e para nós

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Larry Ellison entra na guerra do streaming: o que a garantia de US$ 40,4 bi significa para a Warner e para nós

Quando a gente ouve nomes como Oracle, Netflix ou Paramount, já imagina um cenário de tecnologia, entretenimento e muito dinheiro. Mas poucos sabem que, nos bastidores, um dos fundadores da Oracle – Larry Ellison – está disposto a colocar seu próprio patrimônio como garantia de US$ 40,4 bilhões para fechar um negócio gigantesco envolvendo a Warner Bros. Discovery. Se você acha que isso é só mais um detalhe de negócios, sente-se, porque essa jogada pode mudar a forma como consumimos conteúdo nos próximos anos.

O que está em jogo?

A Paramount, em parceria com a Skydance, lançou uma proposta de compra da Warner no valor total de US$ 108,4 bilhões, pagando US$ 30 por ação, tudo em dinheiro. Em comparação, a Netflix ofereceu US$ 28 por ação, mas com uma estrutura financeira mais simples, sem precisar levantar recursos adicionais. O conselho da Warner, porém, já havia recomendado rejeitar a proposta da Paramount, alegando que a oferta da Netflix traz menos incertezas.

Por que Larry Ellison resolveu entrar na disputa?

Ellison não tem participação direta na gestão da Paramount, mas financia a Skydance, empresa que está por trás de vários projetos da Paramount. Ao oferecer uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões, ele basicamente diz: “Se o financiamento falhar, eu cubro a diferença”. Essa garantia funciona como um seguro para os acionistas da Warner, mostrando que a proposta tem respaldo sólido e que o risco de ficar sem dinheiro no meio do caminho é mínimo.

Como funciona essa garantia?

  • Compromisso formal: Ellison assinou um documento regulatório confirmando que seu patrimônio será usado como lastro.
  • Sem retirada de ativos: Ele se comprometeu a não mover recursos do fundo da família enquanto a transação estiver em análise.
  • Segurança extra: Caso a Paramount precise levantar mais capital, a garantia de Ellison dá confiança ao mercado de que os recursos já estão assegurados.

Por que isso importa para quem assina serviços de streaming?

Se a Paramount conseguir fechar o negócio, ela terá nas mãos um dos catálogos mais valiosos de Hollywood – tudo que a Warner produz, desde os clássicos do cinema até as séries da HBO e o HBO Max. Isso significa mais conteúdo exclusivo, possivelmente menos fragmentação de títulos entre plataformas e, quem sabe, novos modelos de assinatura que combinem cinema, séries e até jogos.

O que a Netflix ganha com tudo isso?

A Netflix já tem uma proposta mais simples, mas oferece menos por ação. Seu ponto forte está na previsibilidade: pagamento em dinheiro + assunção de dívidas já definidas, sem precisar de financiamentos adicionais. Se a Warner aceitar a oferta da Netflix, a empresa reforça sua presença global, reduz a dependência de estúdios externos e abre portas para áreas como games e eventos ao vivo. Em termos práticos, os assinantes podem esperar mais produções originais da própria Netflix e menos “licenças” de terceiros.

Riscos e dúvidas que ainda pairam no ar

Mesmo com a garantia de Ellison, o conselho da Warner ainda tem motivos para hesitar. A proposta da Paramount, embora ofereça um preço por ação maior, depende de um financiamento complexo. Se algo sair errado – por exemplo, uma mudança brusca nas taxas de juros ou um revés nos mercados de capitais – a garantia pode não ser suficiente para cobrir todas as lacunas.

Como isso pode refletir no bolso do consumidor brasileiro?

Para nós, que acompanhamos as novidades do entretenimento, a disputa pode trazer três efeitos principais:

  1. Preço das assinaturas: Se a Warner acabar sob o controle da Paramount ou da Netflix, pode haver reajustes nos planos para refletir o novo portfólio de conteúdo.
  2. Disponibilidade de títulos: Um catálogo unificado pode significar que alguns filmes e séries voltem a ficar exclusivos de uma única plataforma, reduzindo a necessidade de múltiplas assinaturas.
  3. Inovação de formatos: Com mais recursos financeiros, as empresas podem investir em formatos híbridos – como lançamentos simultâneos nos cinemas e nas plataformas de streaming – o que pode mudar a forma como vemos filmes recém-saídos.

O que dizem os analistas?

Especialistas de mercado apontam que a Paramount ainda enfrenta fragilidades financeiras. A garantia de Ellison, portanto, serve mais como um sinal de confiança do que como solução definitiva. Alguns analistas acreditam que, se a Warner mantiver a preferência pela Netflix, a consolidação do streaming avançará de forma mais estável, enquanto uma vitória da Paramount pode acelerar a corrida por ativos de conteúdo, gerando mais volatilidade nos preços das ações.

Qual o futuro da “guerra do streaming”?

Independentemente de quem vença, o que fica claro é que o conteúdo continuará sendo a moeda mais valiosa. Studios como a Warner possuem um acervo que vale bilhões, e quem controla esse acervo tem poder de negociação enorme com criadores, distribuidores e, claro, com o público. A presença de um bilionário da tecnologia como Larry Ellison nessa disputa mostra que o mundo da tecnologia e do entretenimento está cada vez mais interligado.

Conclusão: o que devemos ficar de olho?

Para quem acompanha o mercado ou simplesmente curte maratonar séries, vale observar:

  • As declarações oficiais da Warner nos próximos dias – se vão mudar de posição ou manter a recomendação ao conselho.
  • Como a Paramount vai usar a garantia de Ellison para reforçar sua proposta junto aos acionistas.
  • Qual será a reação da Netflix – se vai melhorar sua oferta ou acelerar outros projetos de conteúdo próprio.

Em resumo, a garantia de US$ 40,4 bi de Larry Ellison pode ser o ponto de virada que a Paramount precisava, mas ainda há muita incerteza. Enquanto isso, nós, consumidores, podemos esperar novas estratégias, possivelmente mais conteúdo exclusivo e, quem sabe, preços diferentes nas plataformas de streaming. Fique atento, porque a batalha pelos bastidores pode acabar refletindo diretamente na sua tela.