Na última semana, enquanto eu estava preso no trânsito da Avenida Paulista, vi um carro que ainda não tinha visto nas concessionárias da cidade. Não era um modelo da Volkswagen, nem da Toyota. Era um SUV da Changan, a marca chinesa que está tentando voltar ao mercado brasileiro depois de quase uma década de ausência. O modelo? O CS75 Plus. Se você ainda não ouviu falar dele, fica aqui um papo reto, bem descontraído, sobre o que está rolando, por que isso importa e o que pode mudar no nosso dia a dia.
Um pouco de história: quem é a Changan?
A Changan não é nova no Brasil. Entre 2006 e 2016, a empresa, então chamada Chana Motors, vendia vans e caminhonetes leves. Em 2011 o nome mudou para Changan, mas a operação acabou sendo encerrada. Desde então, o mercado tem ouvido rumores de um retorno, principalmente depois que a Caoa – que já fabrica carros da Chery aqui – anunciou uma parceria com a chinesa para criar a Caoa Changan. O que vimos nas ruas de São Paulo são os primeiros testes de campo, antes mesmo da grande revelação no Salão do Automóvel.
CS75 Plus: as primeiras impressões
O CS75 Plus é um crossover de 4,7 metros de comprimento e 2,8 metros de entre-eixos. Em termos de tamanho, ele fica bem próximo do Jeep Commander ou do Chery Tiggo 8. Mas, ao contrário desses concorrentes de sete lugares, o CS75 Plus tem espaço interno para apenas cinco ocupantes, o que significa mais espaço para as pernas e um porta‑malas generoso.
Design externo – o que chama a atenção?
- Grade frontal em forma de “V” com entrada de ar bem marcada.
- DRLs (luzes diurnas) horizontais, com um pequeno recorte vertical próximo à roda.
- Faróis que nascem entre as DRLs, dando um ar moderno.
- Rodas com desenho que começa mais grosso e afina até o centro.
- Aerofólio traseiro com vinco central em “V”.
- Lanternas traseiras com assinatura própria da Changan.
Motor e desempenho
Ao abrir o capô, o que encontramos é bem tradicional: um motor 1.5 turbo a gasolina, quatro cilindros, que entrega 192 cv e 31,6 kgfm de torque. A transmissão é automática de oito marchas. Não há nada de híbrido ou elétrico aqui – a Changan ainda quer testar o que já funciona bem nos mercados de combustão antes de apostar pesado em eletrificação.
Conforto interno – minimalismo chinês
Dentro, o carro segue a tendência das marcas chinesas de usar materiais macios ao toque e um visual minimalista. Muitos botões ficam “escondidos”: o ar‑condicionado, o seletor de câmbio e até as portas USB são controlados por painéis táteis. Mas o conforto não fica em segundo plano:
- Ventilação e aquecimento nos bancos dianteiros.
- Apoio para os pés do passageiro da primeira fileira.
- Encostos de cabeça anatômicos para todos.
- Ajustes elétricos e função de massagem nos bancos frontais.
- Central multimídia de 10,25 polegadas + tela secundária de 12,3 polegadas para o passageiro.
- Sistema de estacionamento autônomo que funciona mesmo com o motorista fora do carro.
Por que São Paulo?
São Paulo é o coração econômico do Brasil. Testar um veículo nas ruas da capital significa que a marca está avaliando não só o tráfego intenso, mas também as condições de clima, qualidade das vias e, claro, a aceitação do público urbano. Além disso, a cidade tem um público que costuma ser os primeiros a adotar novidades automotivas, seja por necessidade ou por curiosidade.
O que isso representa para o consumidor brasileiro?
Se você está cansado de ver sempre os mesmos nomes nas concessionárias, a volta da Changan pode ser um sopro de ar fresco. Veja alguns pontos que podem impactar o seu bolso e a sua escolha:
- Preço competitivo: marcas chinesas costumam oferecer preços abaixo da média para ganhar espaço.
- Tecnologia de série: recursos como massagem nos bancos e estacionamento autônomo já são extras em muitos concorrentes.
- Manutenção: ainda não sabemos como será a rede de assistência, mas a Caoa já tem oficinas espalhadas pelo país.
- Valor de revenda: ainda incerto, mas se a marca ganhar força, pode se tornar uma boa opção de compra.
O futuro dos SUVs chineses no Brasil
A Changan não está sozinha. Nos últimos anos, vimos a Chery, a Geely e até a BYD ganhando espaço. O que diferencia a Changan é a estratégia de começar com modelos a combustão, testar o mercado e depois trazer versões híbridas ou elétricas. No Salão de São Paulo, a marca já mostrou o Avatr 11, um SUV cupê elétrico com 308 cv e autonomia de até 730 km (segundo o ciclo chinês). Se a aceitação for boa, podemos ter, dentro de alguns anos, um portfólio completo de veículos elétricos da Changan nas ruas brasileiras.
Desafios que ainda precisam ser superados
Claro que nem tudo são flores. Alguns obstáculos ainda pairam no ar:
- Rede de pós‑venda: a Caoa tem experiência com a Chery, mas ainda não há oficinas específicas para a Changan.
- Importação vs. produção local: ainda não está definido se os veículos virão de fábrica chinesa ou serão montados aqui, em Anápolis (GO).
- Percepção de qualidade: o consumidor brasileiro ainda tem certo preconceito com produtos chineses, embora isso esteja mudando rapidamente.
Conclusão – devo ficar de olho?
Eu acho que vale a pena prestar atenção. O CS75 Plus pode ser o primeiro passo de uma nova era de concorrência no segmento de SUVs médios. Se a Changan conseguir combinar preço justo, boa tecnologia e uma rede de suporte decente, temos mais opções e, consequentemente, mais poder de negociação na hora de comprar um carro.
Fique de olho nos próximos anúncios da Caoa Changan, nas avaliações de especialistas e, claro, nos testes de estrada que ainda virão. Quem sabe, daqui a alguns meses, o seu próximo carro pode ser um Changan com aquele toque de novidade que ainda falta nas nossas ruas.



