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Ouro acima de US$ 4.500: Por que esse salto pode mexer no seu bolso?

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Ouro acima de US$ 4.500: Por que esse salto pode mexer no seu bolso?

A última semana trouxe uma notícia que parece tirada de filme de suspense financeiro: o preço do ouro ultrapassou a marca dos US$ 4.500 por onça. Se você ainda não percebeu, isso tem tudo a ver com a sua carteira, com a economia dos EUA e até com a tensão entre Washington e Caracas. Vamos destrinchar esse assunto, entender o que está por trás desse salto e, principalmente, descobrir como isso pode impactar a sua vida.

## O que está acontecendo nos mercados?

Nas negociações asiáticas de quarta‑feira (24), o ouro chegou a US$ 4.519,78 por onça – quase R$ 25 mil na cotação atual. Essa alta não é pontual: desde o início de 2025 o metal subiu cerca de 70 %. E não é só o ouro que está em alta. Prata, cobre e até platina registraram recordes, com a platina atingindo o maior valor desde 2008.

Mas por que tudo isso? Dois fatores principais aparecem nas análises dos especialistas:

– **Expectativa de corte de juros nos EUA**: o Federal Reserve (Fed) sinaliza que pode continuar reduzindo a taxa básica de juros ao longo de 2026. Quando os juros caem, os investimentos em renda fixa ficam menos atraentes, e os investidores buscam ativos que preservem valor – como o ouro.
– **Tensão geopolítica entre EUA e Venezuela**: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seria “inteligente” que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deixasse o poder. Desde então, sanções a navios petroleiros venezuelanos e a presença de navios de guerra americanos no Caribe aumentaram o clima de incerteza.

Esses dois elementos – política monetária e risco geopolítico – combinam perfeitamente para tornar o ouro um “ativo refúgio”. Quando o futuro parece nebuloso, os investidores correm para o metal amarelo.

## Por que o ouro é chamado de “ativo refúgio”?

O termo pode soar exagerado, mas tem fundamento. Historicamente, o ouro manteve seu valor em períodos de crise: guerras, hiperinflação, recessões. Diferente de moedas que podem perder poder de compra, o ouro tem oferta limitada (cerca de 190 mil toneladas já extraídas) e não depende de promessas de governos.

### Exemplos práticos

– **Crise de 2008**: enquanto ações despencavam, o ouro subiu cerca de 25 %.
– **Pandemia de 2020**: o metal ganhou mais de 30 % em poucos meses, enquanto o dólar se valorizava.

Esses episódios mostram que, em momentos de incerteza, o ouro costuma ser um porto seguro para quem quer proteger seu patrimônio.

## Como isso afeta o investidor brasileiro?

Se você ainda não tem ouro no seu portfólio, talvez seja hora de reconsiderar. Mas antes de correr para comprar barras, vale entender alguns pontos práticos.

### 1. Diversificação

Investir tudo em um único ativo – seja ação, renda fixa ou ouro – aumenta o risco. O ideal é equilibrar a carteira. O ouro pode representar de 5 % a 10 % do total, dependendo do seu perfil.

### 2. Formas de investir

– **Barras e moedas físicas**: requerem guarda segura (cofre, depósito bancário) e têm custos de armazenamento.
– **Fundos de ouro (ETFs)**: replicam o preço do metal sem precisar mantê‑lo fisicamente. São negociados na bolsa, como qualquer ação.
– **Contratos futuros**: mais avançado, exige conhecimento de alavancagem e margem.

### 3. Custos e tributação

No Brasil, a compra de ouro físico está sujeita ao IOF de 1,5 % se a aplicação for inferior a 30 dias. Depois disso, o imposto de renda incide apenas sobre o ganho de capital, com alíquota de 15 % (isento até R$ 35 mil de lucro anual).

### 4. Risco de volatilidade

Apesar de ser considerado estável a longo prazo, o ouro pode oscilar bastante no curto prazo. A alta recente pode ser seguida de correções, especialmente se o Fed mudar de postura ou se a tensão geopolítica diminuir.

## O que os analistas dizem sobre o futuro?

A maioria concorda que a tendência de alta tem fundamentos sólidos, mas alerta para alguns cenários que podem mudar o jogo:

– **Corte agressivo dos juros**: se o Fed reduzir as taxas mais rápido do que o esperado, a atratividade do ouro pode subir ainda mais.
– **Desescalada das tensões**: um acordo diplomático entre EUA e Venezuela poderia retirar parte da “prima de risco” que está impulsionando o metal.
– **Crescimento econômico dos EUA**: o S&P 500 bateu recorde recentemente, impulsionado por um crescimento de 4,3 % no terceiro trimestre. Se esse ritmo se mantiver, investidores podem voltar a preferir ações, reduzindo a demanda por ouro.

## Como usar essa informação no seu dia a dia?

1. **Reveja sua estratégia de investimento** – Se você tem uma carteira conservadora, talvez seja a hora de alocar um pouco mais em ouro para proteger contra possíveis turbulências.
2. **Fique de olho nas decisões do Fed** – Cada reunião do Federal Reserve gera movimentos nos mercados. Calendários econômicos são ótimos aliados.
3. **Acompanhe a geopolítica** – Notícias sobre sanções, conflitos ou acordos internacionais podem ter impacto imediato nos preços de commodities.
4. **Considere o timing** – Comprar no pico pode não ser a melhor ideia. Avalie se há sinais de correção antes de entrar.

## Um olhar mais amplo: ouro e a economia brasileira

Embora o ouro seja negociado em dólares, sua cotação influencia diretamente o real. Quando o metal sobe, o real costuma se desvalorizar frente ao dólar, já que investidores buscam dólares para comprar ouro. Isso pode afetar importações, preços de combustíveis e até a inflação.

Além disso, o Brasil tem potencial para se tornar um grande produtor de ouro. Recentemente, foram descobertas jazidas de 7,1 mil toneladas, mas ainda não foram exploradas em larga escala. Se esses projetos avançarem, poderemos ver um aumento da oferta doméstica, o que, curiosamente, poderia suavizar parte da volatilidade do preço internacional.

## Conclusão: vale a pena entrar agora?

Não há resposta única. O ouro está em alta por razões bem fundamentadas – política monetária americana e tensões geopolíticas – e isso pode continuar nos próximos meses. Se você busca proteção contra incertezas, alocar uma fatia do seu patrimônio em ouro pode ser sensato. Mas lembre‑se de que nenhum investimento é livre de risco.

Minha sugestão prática: faça uma análise de risco pessoal, converse com seu assessor financeiro e, se decidir investir, prefira ETFs ou fundos que ofereçam liquidez e menor custo de custódia. Assim, você aproveita a tendência de alta sem se expor a complicações logísticas.

E você, já pensa em incluir ouro na sua carteira? Compartilhe nos comentários como tem sido sua experiência com investimentos em momentos de turbulência. Vamos aprender juntos!

*Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional antes de tomar decisões financeiras.*