Quando a gente pensa em bilionários, a imagem que costuma vir à cabeça são pessoas de meia‑idade, com décadas de experiência, heranças familiares ou impérios já consolidados. Mas 2025 trouxe uma surpresa que mexeu até com quem acompanha o mercado há anos: o número de jovens que alcançaram a marca do bilhão de dólares sem receber nada de herança bateu recorde histórico, segundo a Forbes.
Por que isso importa para você?
Talvez você esteja se perguntando: “E eu, que não tenho nada a ver com IA ou apostas online, como isso me afeta?” A resposta é mais simples do que parece. Esses novos bilionários são, na prática, pioneiros de setores que estão moldando o futuro do trabalho, da tecnologia e até da forma como fazemos escolhas de consumo. Entender o que eles fizeram, como fizeram e quais tendências estão por trás desse sucesso pode dar ideias valiosas para quem quer empreender, mudar de carreira ou simplesmente ficar por dentro das oportunidades que surgirão nos próximos anos.
O panorama geral: 13 nomes, 13 histórias
Vamos começar com o panorama que a Forbes trouxe: 13 jovens, todos com menos de 30 anos, que construíram fortunas próprias, totalizando mais de US$ 30 bilhões em conjunto. Dentre eles, a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, se destaca como a mulher mais jovem do mundo a atingir o status de bilionária sem herança. Mas antes de mergulharmos na história da Luana, vale a pena entender o que une esse grupo.
- Inteligência artificial (IA) como motor principal: 7 dos 13 bilionários ganharam dinheiro em empresas de IA ou que usam IA como base.
- Apostas online e mercados de previsão: outra fatia importante vem de plataformas que permitem apostar em eventos futuros, como eleições ou indicadores econômicos.
- Velocidade de crescimento: muitas dessas empresas passaram de startup a unicórnio em poucos meses, impulsionadas por investimentos massivos e pela explosão da demanda por soluções digitais pós‑pandemia.
Quem são os 13? Um resumo rápido
Para quem gosta de números, aqui vai uma lista resumida (com a fortuna estimada até dezembro de 2025):
- Alexandr Wang (28) – US$ 3,2 bi – IA (Scale AI).
- Ed Craven (29) – US$ 2,8 bi – Apostas online (Stake.com).
- Surya Midha (22) – US$ 2,2 bi – IA (Mercor).
- Brendan Foody (22) – US$ 2,2 bi – IA (Mercor).
- Adarsh Hiremath (22) – US$ 2,2 bi – IA (Mercor).
- Fabian Hedin (26) – US$ 1,6 bi – Codificação com IA (Lovable).
- Michael Truell (25) – US$ 1,3 bi – Software de IA (Cursor).
- Aman Sanger (25) – US$ 1,3 bi – Software de IA (Cursor).
- Sualeh Asif (25) – US$ 1,3 bi – Software de IA (Cursor).
- Arvid Lunnemark (26) – US$ 1,3 bi – Software de IA (Cursor).
- Luana Lopes Lara (29) – US$ 1,3 bi – Mercados de previsão (Kalshi).
- Tarek Mansour (29) – US$ 1,3 bi – Mercados de previsão (Kalshi).
- Shayne Coplan (27) – US$ 1 bi – Mercados de previsão (Polymarket).
Luana Lopes Lara: a brasileira que quebrou o teto
Se tem um nome que merece um capítulo à parte, é o da Luana. Nascida em 1996, ela estudou tecnologia e finanças antes de co‑fundar a Kalshi, uma plataforma de mercados de previsão que permite que usuários apostem em resultados de eventos futuros, como a taxa de desemprego ou o resultado de uma eleição.
O diferencial da Kalshi está em combinar a transparência dos mercados financeiros com a acessibilidade de um aplicativo móvel. Em vez de precisar ser um trader experiente, qualquer pessoa pode colocar um pequeno valor em uma aposta e, se o evento acontecer como previsto, receber um retorno proporcional.
O que fez a Luana chegar ao bilhão? Dois fatores:
- Timing: o interesse por previsões de mercado disparou durante a pandemia, quando investidores buscavam novas formas de proteger seu capital.
- Capital de risco: a Kalshi recebeu investimentos de grandes fundos, incluindo a Intercontinental Exchange, que aportou US$ 2 bilhões, valorizando a empresa em mais de US$ 10 bilhões.
Além do sucesso financeiro, Luana tem se tornado referência para mulheres que querem entrar em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como finanças e tecnologia. Ela costuma dizer que a chave está em “não ter medo de errar e aprender rápido”.
O que está por trás desse boom de jovens bilionários?
Não é coincidência que a maioria desses nomes esteja ligada à IA ou a mercados de previsão. Vamos analisar os fatores que criaram o terreno fértil para esse fenômeno.
1. Democratização da tecnologia
Há dez anos, montar uma startup de IA exigia acesso a supercomputadores caros e equipes de cientistas de dados. Hoje, plataformas como Google Cloud, Amazon AWS e Microsoft Azure oferecem IA como serviço (IAaaS). Isso significa que um desenvolvedor com uma boa ideia pode treinar modelos avançados usando recursos que custam algumas centenas de dólares por mês.
2. Capital de risco em alta
Investidores institucionais perceberam que as empresas de tecnologia podem escalar globalmente em questão de meses. O capital de risco, portanto, está disposto a apostar grandes somas em startups que mostrem tração rápida, mesmo que ainda não tenham lucro.
3. Mudança de comportamento do consumidor
Com a pandemia, milhões de pessoas passaram a consumir serviços digitais, desde entretenimento até educação e finanças. Esse novo hábito criou um mercado gigantesco para soluções que antes eram nichos.
4. Regulação flexível (por enquanto)
Setores como apostas online e mercados de previsão ainda operam em um ambiente regulatório que, em muitos países, ainda está se adaptando. Essa “zona cinzenta” permite que empresas cresçam rapidamente antes que regras mais rígidas sejam impostas.
Como esses exemplos podem inspirar a sua trajetória?
Mesmo que você não pretenda criar a próxima Scale AI ou Kalshi, há lições práticas que podem ser extraídas dessas histórias.
- Identifique tendências emergentes: áreas como IA generativa, realidade aumentada, fintechs descentralizadas e energia limpa ainda estão nos estágios iniciais. Ficar de olho nas novidades pode abrir portas.
- Construa um MVP rápido: em vez de esperar o produto perfeito, lance uma versão mínima que resolva um problema real. O feedback imediato ajuda a iterar e a atrair investidores.
- Busque mentores e redes de apoio: a maioria desses jovens bilionários tem acesso a aceleradoras, incubadoras ou investidores que oferecem mais que dinheiro – dão conselhos estratégicos.
- Aprenda a lidar com risco: assumir riscos calculados é parte do DNA desses empreendedores. Avalie cenários, planeje saídas e esteja preparado para pivotar.
Os riscos e desafios que vêm junto com a riqueza precoce
Não é só glamour. Ser bilionário aos 20 e poucos anos traz uma série de pressões:
- Gestão de patrimônio: manter e multiplicar bilhões exige equipes de gestão de ativos, advogados e consultores fiscais. Um erro pode custar milhões.
- Visibilidade pública: a mídia e o público ficam curiosos sobre cada movimento, o que pode gerar críticas e até ataques cibernéticos.
- Responsabilidade social: cada vez mais investidores e consumidores esperam que os super‑ricos invistam em causas sociais, ambientais ou educacionais.
- Pressão para inovar constantemente: o mercado de tecnologia evolui rápido. O que é inovador hoje pode ser obsoleto amanhã.
Essas questões reforçam a importância de ter um plano de longo prazo, não apenas focado em crescimento, mas também em sustentabilidade pessoal e social.
O futuro dos bilionários jovens: o que esperar?
Se 2025 já quebrou recordes, o que vem nos próximos anos? Aqui estão algumas previsões baseadas nas tendências atuais:
- Mais diversificação setorial: além de IA e apostas, áreas como biotecnologia, energia renovável e computação quântica podem gerar novos bilionários jovens.
- Integração de IA em todos os setores: empresas que conseguem aplicar IA para otimizar processos tradicionais (como agricultura ou logística) podem alcançar valor de mercado bilionário rapidamente.
- Regulação mais rígida: à medida que governos percebem o impacto de apostas online e mercados de previsão, podem impor regras que limitem crescimento ou mudem modelos de negócios.
- Maior presença feminina: a história de Luana já indica que mais mulheres vão entrar nesses espaços, especialmente quando houver mais programas de apoio ao empreendedorismo feminino.
Como você pode se posicionar hoje?
Se o seu objetivo é entrar no universo das startups ou simplesmente aproveitar as oportunidades que surgem, siga estas dicas práticas:
- Aprenda o básico de IA: cursos online gratuitos (como os da Coursera ou edX) podem te dar uma base sólida para entender o que está por trás das empresas de sucesso.
- Teste ideias de mercado de previsão: plataformas como a própria Kalshi permitem que você experimente apostas de baixo risco para entender como funciona o mecanismo.
- Conecte‑se com comunidades: participe de meetups, hackathons e fóruns de investidores anjo. O networking costuma ser o ponto de partida para parcerias e financiamentos.
- Planeje sua saúde financeira: antes de buscar investimentos, tenha um plano de fluxo de caixa, controle de despesas e estratégia de saída.
Conclusão: o que esses jovens bilionários nos ensinam?
O recorde de 2025 não é apenas um número curioso. Ele revela uma mudança de paradigma: a riqueza não está mais restrita a quem nasce em famílias ricas ou tem décadas de experiência. Ela pode ser construída rapidamente por quem tem visão, coragem e acesso às ferramentas certas.
Para quem lê este texto, a mensagem é clara: o futuro está aberto a quem se atreve a aprender, experimentar e arriscar. Não importa se você tem 20, 30 ou 40 anos – o que conta é a disposição de se adaptar às novas tecnologias e de buscar oportunidades onde ainda não há concorrência.
Então, da próxima vez que alguém falar que “bilionário é coisa de gente velha”, lembre‑se da Luana Lopes Lara, do Alexandr Wang e dos demais jovens que, em menos de uma década, transformaram ideias em impérios bilionários. Quem sabe o próximo nome da lista não seja o seu?



