Na última sexta‑feira (19), o dólar fechou em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,5289. Ao mesmo tempo, o Ibovespa subiu 0,35%, chegando a 158.473 pontos. Parece um número para quem acompanha o mercado, mas o que tudo isso tem a ver com a gente, que não vive de planilhas e gráficos?
Por que o dólar sobe ou cai?
O preço da moeda americana é como um termômetro da confiança dos investidores. Quando há dúvidas sobre a economia dos EUA ou do Brasil, o dólar costuma subir. Essa semana, dois fatores foram decisivos:
- Indicadores dos EUA: as vendas de imóveis usados ficaram ligeiramente abaixo do esperado e o índice de confiança do consumidor avançou, mas ainda ficou aquém das projeções. Esses números mostram que a economia americana está crescendo, mas com certa cautela.
- Política interna brasileira: a aprovação do Orçamento de 2026 no Congresso, com R$ 61 bi em emendas parlamentares e superávit projetado de R$ 34,5 bi, gerou expectativa de mais gastos públicos. Isso costuma pressionar a moeda nacional, já que o mercado teme que o governo precise de mais recursos externos.
Juntando tudo, o dólar acabou subindo. Para quem tem dívida em reais, isso pode significar um aumento nos juros de empréstimos atrelados ao câmbio. Para quem viaja ou compra produtos importados, o bolso sente o impacto direto.
O Orçamento 2026 e seu reflexo na bolsa
O texto aprovado pelo Congresso ainda precisa da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele reserva R$ 61 bi para emendas parlamentares – dinheiro que vai direto para projetos de estados e municípios. Ao mesmo tempo, prevê um superávit de R$ 34,5 bi, sinalizando que o governo espera arrecadar mais do que gastar.
Esse cenário gera duas reações no mercado:
- Expectativa de investimento: com mais recursos disponíveis, setores como infraestrutura, energia e tecnologia podem receber mais contratos. Isso costuma elevar o preço das ações dessas áreas.
- Preocupação com a dívida pública: se o governo precisar recorrer a mais empréstimos para financiar as emendas, a dívida pode crescer, o que pressiona a taxa de juros e, consequentemente, o dólar.
O Ibovespa refletiu esse balanço, avançando modestamente. Não é uma alta explosiva, mas indica que os investidores ainda confiam no potencial de crescimento do país.
Investimento estrangeiro direto (IED) em alta
Novembro trouxe um número animador: US$ 9,82 bi em investimento estrangeiro direto (IED), bem acima dos US$ 6,5 bi esperados. De janeiro a novembro, o total acumulado chegou a US$ 84,164 bi, 14 % a mais que no mesmo período do ano passado.
Mas por que isso importa para a gente?
- Geração de empregos: empresas estrangeiras que investem no Brasil costumam abrir fábricas ou centros de distribuição, criando vagas.
- Transferência de tecnologia: capital estrangeiro costuma trazer know‑how, modernizando setores como agronegócio, energia renovável e tecnologia da informação.
- Equilíbrio da conta corrente: o IED ajudou a cobrir o déficit em transações correntes, que ficou em US$ 4,943 bi em novembro. Quando o país recebe mais dinheiro do que envia, a pressão sobre o real diminui.
Em termos de PIB, o IED representa cerca de 3,3 % – próximo da média dos últimos anos. Não resolve todos os problemas, mas é um sinal de que o Brasil ainda atrai olhares globais.
O que dizem os números dos EUA?
Nos Estados Unidos, duas métricas chamaram atenção:
- Vendas de imóveis usados: crescimento de 0,5 % em relação a outubro, mas queda de 1 % em relação ao mesmo mês do ano passado. Isso indica que o mercado imobiliário ainda sente o efeito dos juros mais altos.
- Confiança do consumidor: índice subiu para 52,9, ainda abaixo das expectativas de 53,5. A expectativa de inflação para os próximos 12 meses caiu para 4,2 %, a menor nos últimos 11 meses, mas ainda acima da meta de 3 %.
Esses indicadores são usados pelos bancos centrais para decidir a taxa de juros. Se a confiança melhora, a tendência é que a taxa permaneça estável ou até caia, o que pode fortalecer o dólar em relação ao real, já que os investidores buscam retornos mais seguros.
Como esses movimentos afetam o seu dia a dia?
Talvez você esteja se perguntando: “Tudo isso é interessante, mas eu não sou economista”. Vamos traduzir:
- Compra de produtos importados: o aumento do dólar eleva o preço de eletrônicos, roupas e até alimentos importados. Se o dólar subir mais, espere pagar um pouco mais nas próximas compras.
- Viagens ao exterior: a cotação do real influencia diretamente quanto você gastará em passagens aéreas, hotéis e alimentação. Uma alta do dólar pode tornar a viagem mais cara.
- Financiamento e empréstimos: alguns contratos de crédito têm cláusulas de reajuste atreladas ao dólar. Se a moeda subir, a parcela pode ficar mais alta.
- Investimentos: se você tem aplicação em renda fixa, a taxa Selic pode subir para conter a inflação, o que pode ser bom para quem busca rentabilidade. Por outro lado, ações de empresas exportadoras tendem a se valorizar com o dólar alto.
Portanto, ficar de olho nas notícias econômicas pode ajudar a planejar melhor suas finanças.
Perspectivas para 2026
O Orçamento de 2026 traz um cenário de superávit, mas também de grandes despesas com emendas. Se o governo conseguir equilibrar as contas, a confiança dos investidores pode crescer, mantendo o real mais estável. Caso contrário, poderemos ver novas pressões inflacionárias e, consequentemente, mais alta do dólar.
Além disso, as eleições de 2026 já começam a aparecer nas pesquisas. O levantamento da AtlasIntel coloca o presidente Lula na frente, com Flávio (não especificado) superando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no primeiro turno. A disputa política pode influenciar decisões de política fiscal e, por extensão, a cotação da moeda.
Resumo rápido
- Dólar em alta: R$ 5,5289, +0,12%.
- Ibovespa sobe 0,35% – sinal de otimismo moderado.
- Orçamento 2026 aprovado: R$ 61 bi em emendas, superávit de R$ 34,5 bi.
- Investimento estrangeiro direto recorde: US$ 9,82 bi em novembro.
- Indicadores dos EUA mistos, mas confiança do consumidor melhora.
Ficar atento a esses pontos pode ajudar a tomar decisões mais inteligentes com seu dinheiro, seja na hora de comprar, investir ou planejar uma viagem.
Se você quiser acompanhar de perto como esses números evoluem, recomendo seguir as notícias econômicas diariamente e, se possível, conversar com um consultor financeiro. Afinal, entender o que está acontecendo no cenário macro pode fazer toda a diferença no seu planejamento pessoal.



