Quando eu li a notícia da Forbes sobre o número recorde de bilionários menores de 30 anos que construíram fortunas do zero, confesso que parei para pensar: o que mudou de verdade? Não é só mais um número em uma lista; é um sinal de que o jeito de criar riqueza está se transformando diante dos nossos olhos.
O salto dos números
Em 2025, a revista registrou 13 jovens que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão sem herdar nada. Em 2022, esse número era a metade: apenas sete. Essa duplicação em poucos anos não é aleatória. Ela reflete a explosão de setores que, até a década passada, eram quase inexistentes.
Por que esses setores?
Se você observar a lista, vai notar que a maioria das fortunas vem de inteligência artificial (IA) e de mercados de previsão/apostas online. Por quê? Porque:
- Escala rápida: Uma solução de IA pode ser desenvolvida por um pequeno time e, de repente, ser adotada por gigantes como Meta, Google ou Amazon.
- Barreira de entrada baixa: Diferente de indústrias como petróleo ou mineração, iniciar uma startup de software requer menos capital inicial.
- Demanda crescente: Empresas de todos os ramos precisam de automação, análise de dados e previsões precisas. Isso cria um mercado faminto por novas ferramentas.
Quem são esses jovens bilionários?
Vou apresentar a lista completa, mas antes, vale lembrar que os valores são estimativas da Forbes até dezembro de 2025. Eles podem mudar, mas a mensagem principal permanece: a geração Z e os Millennials estão redefinindo o conceito de “herança”.
- Alexandr Wang (28) – US$ 3,2 bi – Co‑fundador da Scale AI, especializada em rotulagem de dados para IA. A Meta adquiriu 49 % da empresa por cerca de US$ 14 bi.
- Ed Craven (29) – US$ 2,8 bi – Co‑fundador do cassino digital Stake.com, que ganhou força durante a pandemia.
- Surya Midha (22) – US$ 2,2 bi – Co‑fundador da Mercor, startup de recrutamento com IA, avaliada em US$ 10 bi.
- Brendan Foody (22) – US$ 2,2 bi – Também da Mercor, atua como CEO.
- Adarsh Hiremath (22) – US$ 2,2 bi – Diretor de tecnologia da Mercor.
- Fabian Hedin (26) – US$ 1,6 bi – Co‑fundador da Lovable, que permite criar sites e apps com auxílio de IA.
- Michael Truell (25) – US$ 1,3 bi – Co‑fundador da Cursor, empresa de edição de código com IA.
- Aman Sanger (25) – US$ 1,3 bi – Também da Cursor.
- Sualeh Asif (25) – US$ 1,3 bi – Mais um nome da Cursor.
- Arvid Lunnemark (26) – US$ 1,3 bi – Também da Cursor.
- Luana Lopes Lara (29) – US$ 1,3 bi – Co‑fundadora da Kalshi, plataforma de apostas sobre eventos futuros (eleições, indicadores econômicos). É a bilionária mais jovem do mundo sem herança.
- Tarek Mansour (29) – US$ 1,3 bi – Co‑fundador da Kalshi.
- Shayne Coplan (27) – US$ 1 bi – Fundador da Polymarket, outra plataforma de previsões, que recebeu um aporte de US$ 2 bi da Intercontinental Exchange.
O caso brasileiro: Luana Lopes Lara
Luana chama atenção não só por ser a única brasileira na lista, mas também por ter escolhido um caminho ainda menos tradicional: mercados de previsão. Enquanto a maioria dos bilionários jovens está mergulhada em IA pura, ela apostou (literalmente) em como a gente tenta prever o futuro.
Para quem ainda não conhece, a Kalshi permite que usuários comprem contratos que pagam se um evento específico acontecer – por exemplo, se a taxa de desemprego dos EUA ficar abaixo de 5 % no próximo trimestre. Essa ideia combina finanças, estatística e, claro, tecnologia de ponta.
O que isso significa para nós, brasileiros? Primeiro, que o ecossistema de startups no país está amadurecendo a ponto de gerar unicórnios (e até bilionários) em nichos globais. Segundo, que oportunidades em áreas como IA e fintechs não são exclusivas de Silicon Valley; elas podem nascer aqui, com talento local.
Como esses jovens chegaram lá? Estratégias que podemos aprender
- Foco em problemas reais: A maioria das empresas citadas resolve dores claras – desde melhorar o recrutamento até facilitar decisões de investimento.
- Construção de rede: Parcerias estratégicas (como a compra da Scale AI pela Meta) aceleram o crescimento.
- Escalabilidade digital: Produtos baseados em software podem ser distribuídos globalmente sem precisar de fábricas ou logística complexa.
- Captação inteligente: Muitos desses fundadores levantaram rodadas de investimento antes mesmo de ter receita significativa, confiando no potencial de mercado.
- Velocidade de execução: Em alguns casos, a empresa chegou a valuations bilionários em menos de dois anos.
E o futuro? O que esperar nos próximos anos
Se a tendência de 2025 continuar, podemos esperar:
- Mais jovens entrando em áreas de alta tecnologia, como IA generativa e blockchain.
- Um aumento de plataformas que combinam dados em tempo real com previsões financeiras, algo que já está começando a mudar a forma como investidores operam.
- Maior atenção de grandes corporações a startups emergentes, resultando em aquisições estratégicas ainda mais frequentes.
Para quem está começando agora, a mensagem é clara: o caminho tradicional – estudar, conseguir um emprego estável e esperar a aposentadoria – ainda existe, mas não é o único. Se você tem uma ideia que resolve um problema concreto e consegue alavancar tecnologia, pode estar a poucos anos de estar na lista da Forbes.
Conclusão
O recorde de 2025 não é só um número curioso; ele mostra que a geração mais jovem está redefinindo o conceito de riqueza, usando ferramentas digitais e pensando em escala global desde o primeiro dia. Luana Lopes Lara, como a única brasileira, nos lembra que o Brasil tem potencial para produzir esses gigantes – basta ter visão, coragem e, claro, um pouco de ousadia para apostar no futuro.
E você, tem alguma ideia que poderia virar o próximo grande negócio? Talvez a próxima história de bilionário ainda esteja por vir, e quem sabe, não seja você quem vai escrever esse capítulo.



