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Cuba abre as portas: o que a nova política de investimento estrangeiro pode mudar na sua vida

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Cuba abre as portas: o que a nova política de investimento estrangeiro pode mudar na sua vida

Se você acompanha as notícias internacionais, já deve ter visto a manchete “Em crise, Cuba abre economia para capital estrangeiro”. Mas, na prática, o que isso significa? Eu mesmo fiquei curioso ao ler o comunicado do ministro Oscar Pérez‑Oliva na Feira Internacional de Havana e resolvi entender melhor o que está acontecendo, como isso afeta a própria Cuba e, quem sabe, até nós aqui no Brasil.

Um panorama da crise cubana

Antes de mergulharmos nas novidades, vale lembrar por que a ilha chegou a esse ponto. Desde a pandemia de Covid‑19, o turismo – que antes era a principal fonte de divisas – despencou. Somado a isso, o embargo econômico dos Estados Unidos, que dura há mais de seis décadas, ainda pesa como uma pedra no sapato de quem tenta fazer negócios lá. O resultado? apagões frequentes, falta de alimentos, combustível e peças de reposição. A população depende cada vez mais de importações, e o governo tem buscado formas de gerar dólares rapidamente.

O que mudou na Feira de Havana?

Durante a feira, Pérez‑Oliva anunciou um pacote de medidas para facilitar a entrada de capital estrangeiro. Em linhas gerais, a proposta inclui:

  • Simplificação dos processos de aprovação de projetos – menos burocracia e prazos menores.
  • Flexibilização na contratação de trabalhadores, permitindo que empresas estrangeiras paguem salários diretamente em dólares.
  • Exigência de pagamento em moeda estrangeira para certos bens e serviços, reforçando a “dolarização” da economia.
  • Criação de novos instrumentos de financiamento para investidores.

Essas mudanças são apresentadas como um “passo significativo” rumo à abertura total da economia cubana, embora ainda não haja data definida para sua implementação.

Por que a Cuba precisa tanto de investimento estrangeiro?

O país tem duas importações que pesam mais no orçamento: alimentos e combustíveis. O ministro admitiu que grande parte dos alimentos importados poderia ser produzida localmente se houver tecnologia e capital adequados. Um exemplo prático já está em andamento: uma empresa vietnamita está cultivando arroz em terras cedidas pelo Estado em Pinar del Río. Se o piloto for bem‑sucedido, o modelo pode ser replicado em outras regiões.

O que isso significa para os investidores?

Para quem pensa em colocar dinheiro em Cuba, as novidades trazem alguns atrativos:

  • Processos mais rápidos: menos tempo esperando aprovações pode significar retorno mais rápido.
  • Maior autonomia financeira: a possibilidade de pagar salários em dólares e de operar em moeda estrangeira reduz o risco cambial.
  • Modelos de parceria flexíveis: a ideia de assumir indústrias subutilizadas, melhorar a produção e devolver o ativo ao Estado pode ser interessante para quem tem expertise em reestruturação.

Mas há cautela. O embargo dos EUA ainda impede que muitas empresas americanas invistam diretamente, e as sanções podem ser reforçadas a qualquer momento. Além disso, o nível de endividamento público cubano é alto, o que limita a capacidade do governo de oferecer incentivos financeiros.

O ponto de vista dos especialistas

O economista Omar Everleny Pérez Villanueva, da Universidade de Havana, elogia a rapidez dos novos processos, mas alerta que, por si só, não resolverá a crise. Ele destaca que a única saída real para a Cuba é atrair capital externo, já que empréstimos internacionais são inviáveis devido ao endividamento. Por outro lado, ele aponta que a pressão política dos EUA ainda é um obstáculo gigantesco.

Frank Peter Apel, empresário alemão da Pamas, que já tem uma filial na zona especial de Mariel, concorda que as mudanças são “uma resposta clara à profunda crise do país”. Ele ressalta que a flexibilidade na contratação de trabalhadores – agora podendo pagar bônus em dólares – facilita bastante a operação.

Como isso pode impactar o Brasil?

Você pode estar se perguntando: “E eu, brasileiro, como me beneficio disso?”. Primeiro, há oportunidades de negócios. Empresas brasileiras de alimentos, energia renovável ou turismo podem encontrar nichos na ilha, especialmente se conseguirem navegar pelas sanções americanas. Segundo, há o aspecto geopolítico: um Cuba menos dependente do apoio russo ou chinês pode mudar o equilíbrio de poder no Caribe, influenciando a política externa brasileira.

Além disso, a abertura pode gerar mais fluxo de turistas latino‑americanos que buscam destinos mais acessíveis. Isso pode abrir espaço para agências de viagem e operadores turísticos brasileiros criarem pacotes especiais para Havana, Varadero ou a zona de Mariel.

Desafios que ainda permanecem

Mesmo com as novidades, alguns entraves continuam:

  • Infraestrutura defasada: usinas termelétricas antigas, rede elétrica instável e falta de logística adequada podem desincentivar investidores.
  • Risco de sanções: mudanças nas políticas dos EUA podem fechar portas de repente.
  • Burocracia residual: embora simplificada, ainda existe a agência estatal de emprego, que pode ser um ponto de atrito.

Esses pontos mostram que a jornada de Cuba rumo a uma economia mais aberta ainda tem um longo caminho pela frente.

O futuro: o que esperar nos próximos anos?

Se tudo correr bem, nos próximos cinco a dez anos poderemos ver:

  1. Um aumento gradual das exportações de alimentos produzidos localmente, reduzindo a dependência de importações.
  2. Desenvolvimento de zonas econômicas especiais com regulamentações ainda mais atrativas para multinacionais.
  3. Possível abertura do setor bancário, permitindo que bancos estrangeiros ofereçam serviços de crédito e pagamento em dólares.
  4. Um turismo renovado, com hotéis internacionais operando de forma mais autônoma, o que pode elevar a qualidade dos serviços e atrair visitantes de todo o mundo.

Claro, tudo isso depende da estabilidade política interna e da relação com os EUA. Mas a mensagem que o governo cubano está enviando é clara: eles estão dispostos a mudar, e isso pode abrir portas que antes estavam trancadas.

Conclusão pessoal

Para mim, a notícia traz um misto de esperança e cautela. É animador ver um país tão histórico como Cuba tentando se reinventar, mas também é impossível ignorar os obstáculos que ainda existem. Se você tem curiosidade sobre investimentos internacionais, vale a pena acompanhar de perto como esses novos protocolos evoluirão. E, se você pensa em viajar, talvez seja hora de colocar a Cuba de volta na sua lista de destinos – quem sabe, em poucos anos, a ilha não esteja mais tão distante dos nossos sonhos de férias?

Fique atento, compartilhe sua opinião nos comentários e, se quiser saber mais sobre oportunidades de negócios no Caribe, siga o blog. Até a próxima!