Na manhã de sexta‑feira (26), o dólar subiu 0,45% e ficou cotado em R$ 5,5608. Ao mesmo tempo, o Ibovespa recuou 0,21%, fechando em 160.112 pontos. Parece só mais um número na tela, mas, se a gente parar um pouco para analisar, dá para entender como decisões políticas, dados econômicos e até a agenda curta dos mercados depois do Natal influenciam diretamente o preço da moeda e, consequentemente, o nosso dia a dia.
Por que o dólar subiu? Os gatilhos da manhã
Depois do feriado, a agenda dos mercados ficou realmente enxuta: poucos indicadores, menos anúncios e, claro, menos volume de negociações. Mesmo assim, três grupos de fatores ainda foram suficientes para mover o câmbio:
- Política interna: O ex‑presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta confirmando que seu filho Flávio será o candidato do PL para 2026. Essa sinalização reduz o espaço para Tarcísio de Freitas, do Partido Republicanos, que era visto como um nome mais “amigável” ao mercado.
- Dados do Banco Central: As concessões de crédito caíram 6,6% em novembro, com queda maior nas operações direcionadas (‑14,3%). Menos crédito pode sinalizar desaceleração da atividade econômica, pressionando o real.
- Geopolítica: A China revisou para baixo seu PIB de 2024 e impôs sanções a empresas de defesa dos EUA. Enquanto isso, a Rússia acusou os EUA de “pirataria” no Caribe. Tais tensões aumentam a aversão ao risco e favorecem o dólar como porto seguro.
O que isso significa para quem acompanha a bolsa?
O Ibovespa recuou, mas ainda tem um acumulado positivo no ano (+33,40%). A queda de 0,21% pode ser vista como um ajuste técnico após a alta de fim de ano. Para quem investe em ações, isso traz duas lições práticas:
- Fique de olho nas notícias políticas: A escolha de candidatos pode mudar a percepção de risco. Um candidato considerado mais estável tende a atrair investimentos estrangeiros, fortalecendo o real e pressionando a bolsa para cima.
- Observe o fluxo cambial: Quando o dólar sobe, empresas importadoras sentem o impacto nos custos, o que pode refletir nos resultados trimestrais e, consequentemente, nas cotações das ações.
Crédito no Brasil: o que os números do BC revelam?
O Banco Central divulgou que, apesar da queda nas concessões, o estoque total de crédito ainda cresceu 0,9% no mês, chegando a R$ 6,972 trilhões. Dois pontos chamam atenção:
- Os recursos livres – onde bancos e clientes negociam livremente taxas e prazos – tiveram queda de 5,6% nas novas concessões, mas os juros médios subiram para 46,7% ao ano. Isso indica que o crédito está mais caro, o que pode frear o consumo.
- Já os recursos direcionados – linhas de crédito com regras governamentais, como habitação e rural – recuaram 14,3%. Essa retração pode afetar setores como construção civil e agro, que dependem desses financiamentos.
Para quem tem dívidas ou pensa em financiar um carro ou imóvel, a mensagem é clara: atenção às taxas, que podem subir ainda mais se a pressão inflacionária continuar.
Geopolítica em alta: China, EUA e a disputa por Taiwan
A China baixou a projeção do PIB para 2024, agora estimado em 134,8 trilhões de iuanes (cerca de US$ 19,23 trilhões). Além disso, impôs sanções a 10 pessoas e 20 empresas do setor de defesa dos EUA, incluindo uma unidade da Boeing em St. Louis. O objetivo? Retribuir a venda de armas americanas a Taiwan, que Pequim considera parte do seu território.
Essas medidas têm efeito direto no dólar: quando a China restringe o acesso de empresas ocidentais ao seu mercado, aumenta a incerteza e os investidores tendem a buscar o dólar como reserva de valor.
Como proteger seu bolso diante da volatilidade cambial
Se você não tem interesse em operar no mercado financeiro, ainda assim pode adotar algumas estratégias simples para mitigar o impacto da alta do dólar:
- Compras planejadas: Se você precisa importar produtos ou viajar ao exterior, aproveite momentos de queda do dólar para fechar contratos.
- Produtos nacionais: Dar preferência a marcas brasileiras reduz a exposição ao câmbio, já que o preço desses produtos não sofre a variação direta do dólar.
- Investimentos diversificados: Aplicar parte da carteira em ativos atrelados ao dólar (como fundos cambiais) pode servir como proteção contra a desvalorização do real.
O que esperar nos próximos dias?
Com a agenda ainda curta, o mercado vai se apoiar principalmente nos fluxos de capital e nas notícias internacionais. Se a China mantiver a postura agressiva e a Rússia continuar acusando os EUA de ações hostis, a volatilidade pode permanecer alta.
Por outro lado, se houver algum sinal de desaceleração nas tensões ou uma melhora nos indicadores de crédito interno, o real pode ganhar força e o dólar recuar.
Resumo rápido
- Dólar em alta (0,45%) devido a sinalizações políticas, queda de crédito e tensões geopolíticas.
- Ibovespa recua levemente, mas ainda acumula +33,40% no ano.
- Crédito brasileiro diminui, juros sobem – atenção para quem planeja financiar.
- China revisa PIB e sanciona empresas dos EUA, reforçando a pressão sobre o dólar.
- Estratégias simples: priorizar produtos nacionais, comprar dólares em baixa e diversificar investimentos.
Fique de olho nas próximas notícias e, se precisar, ajuste seu planejamento financeiro. O mercado pode ser imprevisível, mas entender os motivos por trás das variações ajuda a tomar decisões mais conscientes.



