Se você costuma comprar azeite para temperar saladas, finalizar pratos ou até mesmo para um pãozinho com azeite, provavelmente já se deparou com uma variedade enorme de rótulos nas prateleiras. Mas, nos últimos meses, o assunto ganhou outra camada: 25 marcas de azeite foram proibidas ou tiveram lotes retirados do mercado em 2025. O que isso significa para o consumidor e como evitar cair em armadilhas?
O que motivou a proibição de tantas marcas?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura (MAPA) são os órgãos responsáveis por fiscalizar a qualidade dos alimentos no Brasil. Em 2025, eles registraram 25 marcas que tiveram seus produtos vetados por diferentes motivos, entre eles:
- Importação e distribuição por empresas sem CNPJ registrado no país;
- Adulteração ou falsificação – ou seja, o azeite não é 100% azeite, mas contém óleos vegetais de outras espécies;
- Presença de óleos vegetais que não foram declarados no rótulo;
- Instalações que não atendem às exigências sanitárias;
- Rótulos que não seguem as normas de informação ao consumidor;
- Falta de licenciamento junto à autoridade sanitária competente;
- Incerteza sobre a origem ou composição do produto.
Essas irregularidades caracterizam fraude alimentar, um problema que vai muito além de um simples engano de rótulo. Quando o azeite é adulterado, o consumidor paga por um produto de qualidade inferior e ainda pode estar ingerindo substâncias que não foram testadas para consumo humano.
Como as fraudes são detectadas?
O processo de fiscalização começa com a coleta de amostras aleatórias nos pontos de venda – supermercados, mercearias e até feiras livres. Laboratórios acreditados analisam a composição química do óleo e comparam com os parâmetros esperados para um azeite puro. Se detectarem a presença de óleos de soja, canola, girassol ou outros, o lote é imediatamente classificado como adulterado.
Além da análise laboratorial, os fiscais verificam a documentação da empresa: registro no Cadastro Geral de Classificação (CGC) do MAPA, licenças sanitárias, e a regularidade fiscal. Quando algum ponto falha, a marca pode ser incluída na lista de produtos proibidos.
Quais marcas foram afetadas?
Entre as mais recentes, os lotes das marcas Royal, Godio, La Vitta e Santa Lucia foram desclassificados pelo MAPA em novembro de 2025. Algumas dessas marcas já apareciam em listas anteriores da Anvisa, o que indica um padrão recorrente de não conformidade.
Vale lembrar que a proibição não significa que toda a linha da marca está fora do mercado, mas apenas os lotes específicos que foram analisados e considerados impróprios para consumo.
O que fazer se você encontrar um desses produtos?
Se, ao fazer compras, você se deparar com alguma das marcas ou lotes vetados, siga estes passos:
- Interrompa o consumo imediatamente. Mesmo que o produto pareça normal, ele pode conter óleos indesejados.
- Solicite a substituição. O Código de Defesa do Consumidor garante o direito à troca ou ao reembolso quando o produto é considerado impróprio.
- Registre uma denúncia. Use o canal oficial Fala.BR para comunicar a venda do produto. Isso ajuda as autoridades a intensificar a fiscalização.
- Verifique a lista oficial. Tanto a Anvisa quanto o MAPA disponibilizam ferramentas online para consultar se um produto está irregular. Basta digitar o nome da marca.
Essas medidas protegem não só o seu bolso, mas também a sua saúde.
Dicas práticas para escolher um azeite de qualidade
Além de ficar de olho nas listas de proibição, há alguns sinais que ajudam a identificar um azeite confiável:
- Preço muito baixo. Quando o preço está muito abaixo da média do mercado, desconfie. A produção de azeite puro exige cuidados e custos que raramente permitem descontos exagerados.
- Azeite a granel. Produtos vendidos em grandes recipientes sem embalagem individual são mais suscetíveis a adulterações.
- Rótulo completo. Verifique se constam informações como data de validade, origem (país ou região), número de lote e o nome da empresa responsável.
- Certificações. Selos de denominação de origem (DO) ou indicações de prêmio internacional são bons indicativos de qualidade.
O Ministério da Agricultura recomenda ainda checar o registro da empresa no CGC. Essa consulta pode ser feita diretamente no site do Sipeagro, inserindo o nome da distribuidora ou importadora.
Impactos econômicos e de saúde
O Brasil tem se destacado nos últimos anos no cenário mundial de azeites. Em 2025, 11 azeites brasileiros estavam entre os 100 mais premiados do mundo, e o país ficou entre os 10 que mais colecionam prêmios. Essa conquista mostra que há produção de alta qualidade no território nacional.
Entretanto, a presença de fraudes pode minar a confiança do consumidor e prejudicar a imagem dos produtores legítimos. Quando um cliente compra um azeite adulterado, ele pode sentir um gosto “estranho”, perder os benefícios esperados – como antioxidantes e ácidos graxos monoinsaturados – e ainda gastar dinheiro em um produto inferior.
Do ponto de vista da saúde, o consumo de óleos vegetais diferentes pode alterar o perfil nutricional da dieta. Por exemplo, óleos de soja são ricos em ômega-6, que em excesso pode contribuir para inflamações se não equilibrado com ômega-3. Portanto, a adulteração não é apenas uma questão de “preço”, mas também de qualidade nutricional.
O que o futuro nos reserva?
Com a tecnologia avançando, espera‑se que a fiscalização se torne ainda mais rigorosa. Ferramentas de análise por espectroscopia portátil e inteligência artificial para detectar padrões de adulteração estão sendo testadas em laboratórios governamentais. Isso pode significar menos lotes adulterados chegando às prateleiras.
Além disso, o consumidor está cada vez mais informado e exigente. Aplicativos que escaneiam códigos de barras e consultam bases de dados de produtos proibidos já estão disponíveis, facilitando a decisão de compra no momento da escolha.
Em resumo, a proibição de 25 marcas em 2025 é um alerta: a qualidade do azeite que chega à sua cozinha depende de uma rede de fiscalização, de empresas comprometidas e de consumidores atentos. Se você seguir as dicas acima, reduzirá bastante as chances de ser vítima de fraude e ainda apoiará os produtores que realmente entregam um azeite puro e premiado.
E você, já conferiu se o azeite que costuma comprar está na lista de produtos proibidos? Compartilhe sua experiência nos comentários e ajude outros leitores a fazer escolhas mais seguras.



