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Alphabet compra a Intersect: Por que a energia limpa virou o novo “combustível” da IA

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Alphabet compra a Intersect: Por que a energia limpa virou o novo “combustível” da IA

Na segunda‑feira (22), a Alphabet – empresa‑mãe do Google – anunciou a compra da desenvolvedora de energia limpa Intersect por US$ 4,75 bilhões em dinheiro, assumindo também as dívidas da companhia. Pode parecer mais um movimento de “mega‑fusões” típico do Vale do Silício, mas, para quem acompanha a rotina de consumo de energia dos data centers, esse negócio tem um sabor bem diferente: trata‑se de um investimento estratégico na própria fonte que alimenta a inteligência artificial (IA) que usamos todos os dias.

Por que a Alphabet está apostando forte em energia limpa?

Se você já percebeu que os serviços do Google, YouTube, Gmail e, principalmente, o ChatGPT e outras ferramentas de IA, ficam cada vez mais rápidos e onipresentes, talvez não tenha pensado no que está por trás da velocidade: energia. Cada modelo de IA consome uma quantidade enorme de potência elétrica para treinar e, depois, para servir respostas em tempo real.

Nos últimos anos, as redes elétricas dos Estados Unidos começaram a sentir o peso desse crescimento. A demanda por eletricidade impulsionada pela IA generativa está forçando as concessionárias a acelerar a construção de novas linhas de transmissão e a buscar fontes mais estáveis e sustentáveis.

É aí que a Intersect entra. Ela possui projetos de energia limpa – principalmente solar e armazenamento em baterias – que podem gerar cerca de 10,8 gigawatts até 2028. Para colocar em perspectiva, isso equivale a mais de 20 vezes a energia produzida pela icônica Usina Hidrelétrica Hoover.

O que muda nos data centers do Google?

Com a aquisição, a Alphabet não vai assumir todos os ativos da Intersect. Os projetos já operacionais no Texas e na Califórnia ficam fora do acordo e continuam independentes. Mas o que a Alphabet ganha são:

  • Parques industriais de data centers próximos a novas usinas de energia limpa, reduzindo perdas de transmissão.
  • Sistemas de armazenamento – como o projeto Quantum no Texas – que permitem que energia solar ou eólica seja guardada e usada quando a demanda dos servidores está no pico.
  • Flexibilidade para expandir a capacidade computacional sem depender de contratos de energia voláteis ou de fontes fósseis.

Em termos práticos, isso pode significar que, no futuro, ao buscar um vídeo no YouTube ou gerar uma imagem com IA, a energia consumida será proveniente de fontes que não emitem CO₂, reduzindo a pegada de carbono da própria Alphabet.

Impactos ambientais e econômicos

Do ponto de vista ambiental, a jogada tem duas faces:

  1. Redução de emissões: ao substituir parte da energia de carvão e gás natural por solar, eólica e baterias, a Alphabet ajuda a cortar milhões de toneladas de CO₂ ao ano.
  2. Desenvolvimento de infraestrutura verde: os investimentos em linhas de transmissão e em projetos de armazenamento criam empregos e estimulam a economia local, especialmente em estados como Texas e Califórnia.

Economicamente, a compra de US$ 4,75 bilhões pode parecer alta, mas vale lembrar que a própria Intersect já tem US$ 15 bilhões em ativos. Se a capacidade de 10,8 GW for totalmente utilizada, a Alphabet terá um “tanque” de energia que pode suportar centenas de data centers, reduzindo custos operacionais a longo prazo.

Como isso pode afetar o seu dia a dia?

Talvez você esteja pensando: “E eu, que só uso o Gmail, como isso me beneficia?” A resposta está na forma como a tecnologia se espalha:

  • Serviços mais rápidos e estáveis: menos risco de quedas de energia nos servidores significa menos interrupções para você.
  • Preços mais competitivos: ao economizar energia, a Alphabet pode repassar parte da economia em serviços pagos, como o Google Cloud.
  • Consciência ambiental: ao saber que seu uso do Google contribui para um ecossistema de energia limpa, você sente menos culpa ecológica.

Além disso, a tendência de grandes empresas de tecnologia investirem em energia renovável pode acelerar a transição energética do país como um todo, inspirando outras corporações a seguir o mesmo caminho.

Próximos passos e o que observar

Alguns pontos que eu, como observador de tecnologia, pretendo acompanhar nos próximos meses:

  1. Implementação dos parques industriais: quando os data centers começarem a ser construídos ao lado das novas usinas, vamos ver se a promessa de eficiência se confirma.
  2. Parcerias com outras empresas de energia: a Alphabet já tem um acordo com a NextEra, mas pode haver mais colaborações, inclusive com startups de baterias.
  3. Regulamentação nos EUA: como as redes elétricas estão sobrecarregadas, políticas governamentais podem mudar, afetando a viabilidade de novos projetos.
  4. Impacto nos custos de IA: se a energia ficar mais barata e limpa, pode haver uma queda nos preços de serviços baseados em IA, tornando essas ferramentas mais acessíveis.

Em resumo, a compra da Intersect pela Alphabet vai muito além de um simples negócio de bilhões de dólares. Ela sinaliza que, no futuro próximo, energia limpa será tão essencial para a tecnologia quanto os chips de silício. E, para nós, usuários finais, isso pode se traduzir em serviços mais rápidos, mais verdes e, quem sabe, até mais baratos.

Se você gostou desse mergulho nos bastidores da energia que alimenta a IA, compartilhe o post e deixe seu comentário. Quero saber como você imagina o futuro dos data centers e da energia limpa nos próximos anos.