Radar Fiscal

Azeite na sua mesa: por que 25 marcas foram proibidas em 2025 e como escolher o verdadeiro ouro verde

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Azeite na sua mesa: por que 25 marcas foram proibidas em 2025 e como escolher o verdadeiro ouro verde

Se você costuma usar azeite em saladas, refogados ou até mesmo em pratos mais elaborados, provavelmente já ouviu falar das recentes proibições de marcas no Brasil. Em 2025, a Anvisa e o Ministério da Agricultura vetaram 25 marcas ou lotes de azeite por suspeita de fraude. Mas o que isso significa para o consumidor de dia a dia? E, principalmente, como garantir que o frasco que você leva para casa seja realmente azeite puro?

O que motivou a proibição de 25 marcas?

Desde o início de 2024, o governo federal já havia interditado mais de 70 lotes de azeite. As razões são variadas, mas todas giram em torno da segurança e da transparência para o consumidor:

  • Importação e distribuição sem CNPJ brasileiro: empresas que não têm registro oficial podem estar operando à margem da lei, dificultando a fiscalização.
  • Adulteração ou falsificação: a prática mais comum – misturar óleos vegetais de outras espécies (como soja ou girassol) ao azeite.
  • Presença de óleos vegetais no produto: quando o rótulo indica 100% azeite e, na verdade, há outros óleos.
  • Instalações sem condições sanitárias: fábricas que não atendem às exigências de higiene podem contaminar o produto.
  • Rotulagem inadequada: informações incompletas ou enganosas sobre origem, data de validade ou composição.
  • Falta de licenciamento: ausência de registro junto à autoridade sanitária competente.
  • Incerteza sobre a origem: quando não se sabe se o azeite vem realmente da região mediterrânea ou de outro lugar.

Quais marcas foram as últimas a cair?

A proibição mais recente, anunciada em novembro de 2025, incluiu lotes das marcas Royal, Godio, La Vitta e Santa Lucia. Elas foram desclassificadas pelo Ministério da Agricultura após análises que detectaram a presença de óleos vegetais diferentes do azeite de oliva.

Como a fraude acontece na prática?

Os processos de adulteração podem ser simples ou sofisticados. Em alguns casos, produtores adicionam óleo de soja barato para aumentar o volume e reduzir custos. Em outros, o azeite é misturado com óleos refinados de girassol, que têm cor e sabor semelhantes, dificultando a detecção a olho nu. A Anvisa coleta amostras aleatórias nos pontos de venda e, usando laboratórios especializados, verifica a composição química. Quando a proporção de ácidos graxos não corresponde ao padrão do azeite de oliva, o lote é imediatamente retirado do mercado.

O que fazer se você encontrar uma marca proibida?

Se, ao fazer compras, você perceber que o rótulo corresponde a uma das marcas vetadas, siga estes passos:

  1. Interrompa o consumo: não consuma o produto, mesmo que ele pareça normal.
  2. Exija a substituição: o Código de Defesa do Consumidor garante o direito à troca ou ao reembolso.
  3. Denuncie: registre a ocorrência no canal oficial Fala.BR, informando onde comprou e o número do lote.
  4. Confira a lista oficial: a Anvisa disponibiliza uma ferramenta de busca onde você pode inserir o nome da marca e verificar se está irregular.

Dicas práticas para escolher um azeite de qualidade

Além de evitar marcas já vetadas, vale adotar alguns hábitos na hora da compra:

  • Desconfie de preços muito baixos: azeite de oliva puro costuma ter um custo mais elevado. Se o preço estiver muito abaixo da média, pode ser sinal de adulteração.
  • Fuja de azeites vendidos a granel: a falta de embalagem selada dificulta o controle de origem e de validade.
  • Leia o rótulo com atenção: procure informações como “extra virgem”, data de colheita da azeitona, país de origem e número do lote.
  • Verifique o registro no CGC: o Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) do Ministério da Agricultura permite confirmar se a empresa está devidamente licenciada.
  • Teste o sabor: azeite de qualidade tem um sabor frutado, levemente amargo e picante. Se o gosto for neutro ou “engordurado”, desconfie.

Ferramentas úteis para o consumidor

O governo disponibiliza duas plataformas que podem salvar seu bolso e sua saúde:

  1. Busca de produtos falsificados da Anvisa: portal.anvisa.gov.br. Basta digitar o nome da marca e conferir o status.
  2. Consulta ao CGC do Ministério da Agricultura: sipeagro.gov.br. Lá você verifica se a empresa que produz ou importa o azeite tem registro válido.

Impacto das proibições no mercado brasileiro

Embora a notícia de marcas proibidas cause preocupação, há um lado positivo: o Brasil tem se destacado nos últimos anos na produção de azeite de alta qualidade. Em 2025, onze azeites brasileiros estavam entre os 100 mais premiados do mundo, e o país ficou entre os dez maiores vencedores de prêmios internacionais. Isso indica que, apesar dos casos de fraude, há produtores comprometidos com a excelência.

Para o consumidor, o efeito imediato das proibições é a maior segurança nas prateleiras. Para os produtores honestos, a ação do governo cria um ambiente de concorrência mais justo, onde quem investe em qualidade tem chance de crescer.

O futuro do azeite no Brasil

O cenário aponta para uma consolidação do mercado interno. Com a expansão de áreas de cultivo de oliveiras nas regiões sul e sudeste, a oferta de azeite nacional tende a aumentar. Isso pode reduzir a dependência de importações e, consequentemente, diminuir o risco de produtos adulterados vindos do exterior.

Entretanto, a vigilância precisa ser constante. Tecnologias como espectroscopia de infravermelho próximo (NIR) e análise de DNA já estão sendo testadas para detectar fraudes de forma mais rápida e barata. Se essas ferramentas se popularizarem, a chance de produtos falsificados chegarem ao consumidor será ainda menor.

Conclusão: o que você pode fazer hoje?

Em resumo, a proibição de 25 marcas de azeite em 2025 é um alerta, mas não um motivo para abandonar o produto. Ao adotar hábitos simples – checar o preço, ler o rótulo, usar as ferramentas da Anvisa e do Ministério da Agricultura – você garante que o azeite que chega à sua cozinha seja realmente puro e saudável.

Na próxima ida ao supermercado, reserve alguns minutos para observar esses detalhes. Seu paladar, sua saúde e seu bolso agradecem.