Você viu a notícia sobre o crescimento do PIB argentino? Pois é, o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) divulgou que a economia da Argentina avançou 3,3% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Não parece nada de outro mundo, mas quando a gente puxa o pano e olha os detalhes, dá para entender melhor o que está acontecendo lá e, quem sabe, até tirar lições para a nossa realidade.
Por que esse número importa?
Primeiro, vamos colocar o número em perspectiva. O crescimento de 3,3% ficou um pouquinho abaixo das expectativas dos analistas, que esperavam 3,5%. Parece uma diferença pequena, mas no mundo da macroeconomia cada ponto percentual tem peso. Mais importante ainda é entender de onde veio esse crescimento.
Os motores do crescimento
Segundo o Indec, o principal responsável foi o investimento fixo bruto. Em termos simples, isso quer dizer que empresas e o governo estão colocando mais dinheiro em máquinas, infraestrutura, construção de fábricas, etc. Quando esses investimentos aumentam, eles criam empregos, aumentam a produção e, a longo prazo, elevam o nível de vida.
Além disso, o relatório destacou setores que deram um gás extra:
- Setor financeiro: bancos e instituições de crédito voltaram a conceder empréstimos, o que estimula consumo e investimento.
- Mineração e extração: a Argentina tem reservas de minerais valiosos e, com os preços internacionais em alta, esse segmento trouxe mais receita.
- Hospedagem e alimentação: o turismo interno e externo começou a se recuperar, impulsionando hotéis, restaurantes e serviços relacionados.
E o que isso tem a ver com a política de Javier Milei?
Não dá para falar de economia argentina sem mencionar o presidente Javier Milei. Ele chegou ao poder prometendo uma agenda de reformas radicais e austeridade. Recentemente, seu partido venceu as eleições legislativas de meio de mandato, o que indica que parte da população ainda confia em seu plano, apesar das medidas duras que apertam o bolso.
Esse apoio político pode ser um fator importante para o futuro da economia. Se o Congresso continuar alinhado com Milei, as reformas – como a redução de impostos, a desregulamentação e a abertura de mercados – podem ganhar ritmo, o que, teoricamente, ajudaria a sustentar ou até acelerar o crescimento.
Desafios que ainda permanecem
Mesmo com esse crescimento, a Argentina ainda tem um caminho difícil pela frente. O país saiu da recessão no fim de 2023, mas ainda enfrenta:
- Consumo interno fraco: a inflação alta corrói o poder de compra das famílias.
- Produção industrial sob pressão: muitas fábricas ainda operam abaixo da capacidade.
- Endividamento externo: o país precisa rolar dívidas em dólares, o que gera vulnerabilidade a flutuações cambiais.
Esses fatores podem limitar o impacto positivo do investimento e dos setores que estão em alta.
O que os especialistas preveem?
O governo de Milei tem uma meta ambiciosa: 5,4% de crescimento em 2025. Já a Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), feita pelo Banco Central, projeta um crescimento de 4,4% para o mesmo ano. Ambas as metas são bem acima da média histórica da Argentina, mas são metas que exigem muita disciplina fiscal e sucesso nas reformas.
Se a economia conseguir manter o ritmo de investimento e melhorar a confiança dos consumidores, talvez essas metas não sejam tão impossíveis. Por outro lado, se a inflação continuar alta e a população sentir o aperto nas contas, o apoio político pode diminuir, comprometendo o plano.
Como isso afeta o Brasil?
Você pode estar se perguntando: “E eu, que moro no Brasil, o que ganho com isso?” A resposta está nas relações comerciais e nos fluxos de investimento entre os dois países. A Argentina é um dos principais parceiros da América do Sul, e um crescimento mais sólido lá pode gerar:
- Mais exportações brasileiras: produtos como soja, carne e máquinas podem encontrar demanda crescente.
- Investimentos cruzados: empresas brasileiras que operam na Argentina podem ver retorno mais rápido dos seus projetos.
- Estabilidade regional: economias que crescem juntas tendem a ser menos vulneráveis a crises externas, como variações no preço do petróleo ou nas taxas de juros globais.
Além disso, observar as políticas de Milei pode servir de lição para debates aqui no Brasil sobre reformas fiscais, privatizações e controle da inflação.
O que eu faço com essa informação?
Se você tem algum dinheiro investido em ativos sul‑americanos, vale a pena ficar de olho nas notícias argentinas. Fundos de investimento que têm exposição à Argentina podem reagir a esses números – tanto positivamente quanto negativamente – dependendo de como o mercado interpreta a sustentabilidade do crescimento.
Para quem pensa em negócios, o setor de turismo e de alimentos pode ser uma oportunidade. Se a Argentina continua a atrair turistas, hotéis e restaurantes brasileiros podem explorar parcerias ou até abrir filiais.
E, claro, se você tem curiosidade sobre economia, acompanhar esses indicadores ajuda a entender como políticas macroeconômicas se traduzem em números reais no dia a dia das pessoas.
Conclusão
O PIB da Argentina subindo 3,3% no terceiro trimestre é um sinal de que a economia está tentando se reerguer, impulsionada principalmente por investimentos e por alguns setores estratégicos. Ainda está aquém das expectativas, e os desafios – inflação, consumo fraco e dívida – continuam. O apoio político ao presidente Javier Milei pode ser decisivo para que as reformas prometidas deem frutos e para que o país alcance as metas ambiciosas de crescimento nos próximos anos.
Para nós, brasileiros, o que vale a pena observar são as oportunidades de comércio, investimento e aprendizado que surgem desse cenário. Afinal, a saúde econômica dos nossos vizinhos tem um eco direto na nossa própria realidade.


