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Copasa dispara mais de 100% em 2025: o que a privatização pode mudar no seu dia a dia

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Copasa dispara mais de 100% em 2025: o que a privatização pode mudar no seu dia a dia

Um salto inesperado

Se você acompanha o mercado de ações, provavelmente já viu o gráfico da Copasa (CSMG3) subir como foguete nos últimos meses. De R$ 20,53 em 2 de janeiro para R$ 42,91 em 18 de maio, a valorização acumulada de 109% deixou investidores de cabelo em pé. Mas o que está por trás desse movimento? A resposta está na mesa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que aprovou um projeto de lei para iniciar a privatização da empresa.

Por que a Copasa está no radar?

Para entender o entusiasmo, vale lembrar alguns números que dão a dimensão da empresa:

  • Atende 637 dos 853 municípios mineiros – cerca de 75% da população do estado.
  • Mais de 5,7 milhões de unidades consumidoras de água e 4,2 milhões de conexões de esgoto.
  • Lucro líquido de R$ 1,3 bilhão em 2024 e R$ 1,07 bilhão só até o terceiro trimestre de 2025.
  • Investimentos de R$ 2 bilhões de janeiro a setembro de 2025, 26% a mais que no mesmo período do ano passado.

Esses indicadores mostram que a Copasa não é só uma empresa de utilidade pública; é um grande ativo financeiro, com receitas estáveis e potencial de crescimento. Quando o governo do estado, liderado por Romeu Zema (Novo), fala em “modernização”, “atração de investimentos” e “pagamento da dívida de R$ 180 bilhões com a União”, ele está basicamente dizendo que a privatização pode transformar esse ativo em caixa rápido.

Como funciona a privatização?

O projeto aprovado prevê duas formas principais de desestatização:

  1. Alienação total ou parcial: venda das ações que o estado detém (atualmente 50,03%) para um comprador privado, geralmente via leilão.
  2. Aumento de capital: emissão de novas ações que serão subscritas por investidores privados, diluindo a participação estatal.

Mesmo após a venda, Minas Gerais ficaria com uma “golden share”, um voto de veto em decisões estratégicas como mudança de nome ou sede. Ainda assim, o controle efetivo passaria para quem comprar a maioria das ações.

O que isso significa para quem mora em Minas?

É fácil pensar que a privatização afeta só os bolsos dos investidores, mas a realidade é mais ampla. Aqui vão alguns pontos que podem mudar o seu cotidiano:

  • Tarifas de água e esgoto: empresas privadas costumam buscar eficiência, mas também precisam garantir retorno aos acionistas. Isso pode levar a reajustes de tarifas, embora a regulação da Agência Nacional de Águas (ANA) continue limitando aumentos abusivos.
  • Qualidade do serviço: com capital novo, a Copasa pode acelerar investimentos nos 16,1 bilhões de reais necessários até 2029 para alcançar 90% de cobertura de esgoto. Mais obras podem significar menos interrupções e água mais limpa.
  • Empregos: a empresa tem quase 10 mil funcionários. Privatizações costumam gerar reestruturações, o que pode gerar demissões, mas também criar novas vagas em áreas de tecnologia e gestão.
  • Transparência: empresas de capital aberto são obrigadas a divulgar resultados trimestrais, o que pode trazer mais clareza sobre custos e investimentos.

Os riscos que não podemos ignorar

Nem tudo são flores. Alguns críticos apontam que a privatização pode:

  • Priorizar lucro em detrimento de áreas menos rentáveis, como regiões rurais ou de baixa renda.
  • Reduzir a capacidade de investimento em longo prazo se a nova gestão focar em retorno rápido.
  • Gerar um monopólio privado, já que a concessão de saneamento costuma ser exclusiva em cada região.

Essas questões são justamente o que a “golden share” tenta mitigar, mas o sucesso depende de como o governo vai usar esse poder de veto.

Como acompanhar a evolução?

Se você quer ficar de olho no futuro da Copasa, aqui vai um checklist simples:

  1. Leitura de relatórios trimestrais: o site de relações com investidores (RI) da Copasa publica balanços detalhados.
  2. Monitorar a sanção do governador: o projeto ainda precisa da assinatura de Romeu Zema para entrar em vigor.
  3. Acompanhar leilões ou ofertas públicas: caso a alienação seja feita por leilão, haverá ampla cobertura na imprensa econômica.
  4. Ficar atento à regulação da ANA: mudanças nas regras de tarifas podem sinalizar a postura da agência frente à nova gestão.

Um olhar para o futuro

Se a privatização acontecer, a Copasa pode se transformar em uma das maiores “corporations” de saneamento da América Latina. Isso abriria portas para parcerias internacionais, tecnologia de ponta em tratamento de água e até projetos de economia circular com resíduos sólidos.

Por outro lado, a pressão por resultados financeiros pode acelerar a adoção de soluções como medição inteligente, redução de perdas (que já caíram de 38,4% para 37,3% em um ano) e otimização de redes. Para o consumidor, isso pode significar menos vazamentos e contas mais previsíveis.

Conclusão: vale a pena ficar esperto?

Em resumo, a explosão de 100% nas ações da Copasa reflete muito mais que um simples movimento de mercado; ela sinaliza uma mudança estrutural que pode tocar a vida de milhões de mineiros. Seja pela possibilidade de tarifas diferentes, por investimentos em infraestrutura ou pelos debates sobre controle estatal, o assunto merece atenção.

Se você tem água na torneira, paga conta de esgoto ou simplesmente curte acompanhar o mercado, vale a pena seguir a história da Copasa nos próximos meses. Afinal, quando um serviço essencial como o saneamento entra em nova fase, todo mundo sente o impacto – do investidor ao cidadão comum.