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TikTok nos EUA: o que muda com a nova joint venture e por que isso importa para você

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TikTok nos EUA: o que muda com a nova joint venture e por que isso importa para você

Se você acompanha a notícia dos últimos dias, já deve ter visto a manchete: a ByteDance, controladora chinesa do TikTok, assinou um acordo para transferir o controle da operação americana para um grupo de investidores liderado pela Oracle. Parece papo de executivo de alto nível, mas, na prática, isso pode mudar a forma como usamos o aplicativo aqui nos Estados Unidos – e, de quebra, traz lições interessantes para quem mora no Brasil.

Um pouco de história

O TikTok chegou ao mercado americano em 2017, mas foi a partir de 2019 que o app explodiu, conquistando mais de 170 milhões de usuários ativos nos EUA. Desde então, ele tem sido alvo de críticas e suspeitas de que o governo chinês poderia acessar dados de usuários americanos. Em 2020, o então presidente Donald Trump tentou proibir o aplicativo, alegando risco à segurança nacional. A medida acabou não sendo implementada, mas plantou a semente de um debate que ainda ecoa.

O que exatamente foi acordado?

Na quinta‑feira, 19 de novembro, a ByteDance firmou acordos vinculativos que criam uma nova empresa nos Estados Unidos – a TikTok USDS Joint Venture LLC. Essa joint venture será controlada em 80,1% por investidores americanos e internacionais, entre eles a Oracle, o fundo de private equity Silver Lake e a MGX, com sede em Abu Dhabi. A ByteDance ficará com os 19,9% restantes.

Os termos financeiros não foram divulgados, mas a avaliação preliminar da nova empresa ficou em torno de US$ 14 bilhões, abaixo das expectativas de analistas. Ainda assim, o acordo parece atender às exigências da lei de 2024 que obriga o desinvestimento de ativos críticos controlados por empresas estrangeiras.

Por que a Oracle está envolvida?

A Oracle é uma gigante da tecnologia americana, conhecida por serviços de nuvem e bancos de dados. A presença dela no acordo tem dois propósitos claros: primeiro, garantir que os dados dos usuários americanos sejam armazenados em servidores nos EUA, sob jurisdição americana. Segundo, dar um selo de credibilidade ao projeto, mostrando que uma empresa americana de peso está supervisionando a operação.

Para quem usa o TikTok, isso pode significar menos risco de que informações pessoais sejam enviadas para fora do país. Mas, claro, ainda há quem questione se a presença da Oracle realmente elimina todas as preocupações de privacidade.

Impactos imediatos no aplicativo

Na prática, o que muda no dia a dia do usuário? Ainda não há alterações visíveis na interface ou nas funcionalidades. O que pode mudar, porém, são as políticas de coleta de dados e a forma como as informações são processadas. Se a Oracle assumir a gestão dos servidores, o governo dos EUA terá mais facilidade para fiscalizar o fluxo de dados, o que pode reduzir a pressão para um banimento total.

Além disso, a notícia já teve reflexos no mercado: as ações da Oracle subiram quase 6% nas negociações pré‑mercado. Isso indica que investidores veem valor na parceria e acreditam que o TikTok continuará a crescer nos EUA, agora com um “escudo” regulatório mais robusto.

O que isso significa para o Brasil?

Você pode estar se perguntando: “E eu, que moro no Brasil, como isso me afeta?”. Primeiro, o caso TikTok mostra como questões de soberania digital podem impactar plataformas globais. Se o governo dos EUA exige que dados de seus cidadãos fiquem em território nacional, o Brasil pode seguir o mesmo caminho, exigindo que empresas como o TikTok armazenem informações em servidores brasileiros.

Já há discussões no Congresso sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a necessidade de criar uma “nuvem soberana”. O acordo nos EUA pode servir de exemplo – tanto positivo quanto negativo – para os legisladores brasileiros.

Próximos passos e cenários possíveis

  • Consolidação da joint venture: nos próximos meses, a nova empresa precisará ser registrada, os servidores migrados e as políticas de privacidade revisadas. Esse processo pode gerar interrupções temporárias, mas a expectativa é que seja tranquilo.
  • Fiscalização mais rígida: com a Oracle no comando, agências como o FTC (Federal Trade Commission) podem ter mais acesso para auditorias. Isso pode resultar em regras mais claras sobre anúncios, algoritmos e uso de dados.
  • Possível expansão de recursos: a parceria pode abrir portas para integrar serviços da Oracle, como soluções de inteligência artificial, o que pode melhorar a experiência do usuário, oferecendo recomendações mais precisas.
  • Risco de novos embates políticos: caso a situação internacional se agrave, o TikTok ainda pode enfrentar novas pressões, inclusive de outros países que adotem políticas semelhantes.

Como você pode se preparar?

Mesmo que nada mude imediatamente, vale a pena ficar atento a alguns pontos:

  1. Revisar as configurações de privacidade: dê uma olhada nas permissões que o TikTok tem no seu smartphone. Se algo parecer excessivo, ajuste.
  2. Ficar de olho nas atualizações: a cada nova versão do app, os desenvolvedores podem incluir mudanças nas políticas de dados. Leia os termos resumidos que aparecem antes de atualizar.
  3. Considerar alternativas: se a questão de privacidade ainda te incomoda, explore outras plataformas de conteúdo curto, como o Instagram Reels ou o YouTube Shorts.
  4. Participar do debate: compartilhe sua opinião nas redes, com amigos e até com representantes políticos. A pressão da sociedade pode influenciar decisões regulatórias.

Conclusão

O acordo da ByteDance com investidores americanos marca um ponto de virada na saga do TikTok nos EUA. Não é apenas uma jogada de negócios; é uma resposta a demandas de segurança nacional e a um clima político cada vez mais atento à soberania digital. Para nós, brasileiros, o caso serve como um lembrete de que a localização dos nossos dados pode se tornar um tema ainda mais quente nos próximos anos.

Se você curte criar ou consumir conteúdo no TikTok, continue aproveitando, mas faça isso com consciência. Afinal, entender o que acontece nos bastidores nos ajuda a usar a tecnologia de forma mais segura e informada.