Na quinta‑feira (18) eu acordei acompanhando as notícias de economia e, como de costume, já estava de olho no Ibovespa e no dólar. O índice da bolsa brasileira fechou em alta de 0,38 %, chegando a 157.923 pontos, enquanto a cotação do dólar subiu quase nada, apenas 0,01 %, ficando em R$ 5,5225. Parece pouco, mas esses números carregam muita informação sobre o que está acontecendo nos EUA, no Brasil e, claro, nos nossos bolsos.
O que mudou nos EUA?
O principal destaque americano foi o CPI (índice de preços ao consumidor) de novembro, que subiu 2,7 % em 12 meses. Esse número ficou abaixo da meta do Federal Reserve (Fed) e das expectativas de 3,1 %. Também divulgou o número de pedidos semanais de auxílio‑desemprego: 224 mil, exatamente onde os analistas esperavam.
Esses dois indicadores são como termômetros para o Fed. Quando a inflação está mais baixa que o esperado, aumenta a chance de cortes de juros no futuro. E, se o mercado de trabalho está estável, o Fed tem mais espaço para aliviar a política monetária.
- Inflação abaixo da meta: sinal de que a pressão sobre preços pode estar diminuindo.
- Desemprego estável: indica que a economia ainda tem força para absorver choques.
Mas, atenção: a queda no CPI pode ser temporária. O relatório apontou que a coleta de preços foi feita mais próximo do fim do mês, quando os varejistas costumam oferecer descontos de fim de ano. Isso pode inflar a aparente desaceleração e, em dezembro, os números podem subir novamente.
E no Brasil? O que o Banco Central disse?
Logo cedo, o Banco Central (BC) divulgou o Relatório de Política Monetária do quarto trimestre. Entre os pontos principais:
- Revisão da projeção de crescimento do PIB para 2025: de 2 % para 2,3 %.
- Aumento da projeção para 2026: de 1,5 % para 1,6 %.
- Manutenção da taxa Selic em 15 % ao ano – o patamar mais alto em quase duas décadas.
Essas projeções mostram um cenário de crescimento mais moderado, o mais fraco desde 2020, quando a pandemia fez a economia encolher 3,3 %. O BC explicou que isso reflete três fatores principais:
- Política monetária restritiva (juros altos) para conter a inflação.
- Baixo nível de ociosidade dos fatores de produção – ou seja, as empresas ainda estão operando perto da capacidade máxima.
- Desaceleração da economia global e ausência de um impulso agropecuário que se esperava para 2025.
Além disso, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, comentou que a decisão sobre a Selic em janeiro ainda está em avaliação e que um corte não está 100 % descartado. Ele também confirmou a saída de dois diretores indicados por Bolsonaro ao fim de 2025.
Política interna e o impacto nos mercados
O mercado tem ligado a política brasileira à performance da bolsa e da moeda. Dois pontos que estão em destaque:
- Flávio Bolsonaro surge como o principal nome da direita, o que pode mudar a dinâmica das eleições e, por consequência, a confiança dos investidores.
- Tarcísio de Freitas ainda é visto como favorito entre investidores, mas há sinais de enfraquecimento da sua candidatura.
Analistas acreditam que, se o governo atual permanecer, será mais difícil implementar ajustes fiscais robustos. Isso pode pesar negativamente no Ibovespa e no câmbio, já que investidores preferem ambientes com maior previsibilidade fiscal.
Como tudo isso se traduz no seu dia a dia?
Você pode estar se perguntando: “E eu, o que isso muda para mim?” Vamos colocar em termos práticos:
- Investimentos em ações: a alta do Ibovespa indica que o mercado está reagindo positivamente ao cenário de inflação mais branda nos EUA e às expectativas de política monetária mais flexível no futuro. Se você tem ações ou pensa em comprar, pode ser um bom momento para analisar setores que se beneficiam de juros mais baixos.
- Compra de moeda estrangeira: o dólar quase estável mostra que, apesar da inflação americana menor, a moeda ainda está cara para quem ganha em reais. Se você viaja ou compra produtos importados, a cotação atual pode ser considerada “boa” em comparação com semanas anteriores.
- Planejamento financeiro: a perspectiva de crescimento econômico mais lento no Brasil pode impactar salários e oportunidades de emprego nos próximos anos. Manter uma reserva de emergência e diversificar investimentos pode ser ainda mais importante.
Resumo rápido – o que observar nas próximas semanas
Para quem acompanha o mercado, alguns indicadores são essenciais:
- CPI americano: fique de olho nos números de dezembro. Uma alta inesperada pode mudar a expectativa de cortes do Fed.
- Decisão da Selic: a reunião de janeiro do BC será decisiva. Um corte pode impulsionar ainda mais a bolsa e reduzir a pressão sobre o real.
- Calendário político: as candidaturas de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas vão ganhar destaque nas próximas semanas, influenciando a confiança dos investidores.
Em resumo, a alta do Ibovespa e a estabilidade do dólar são resultados de uma combinação de fatores externos (inflação nos EUA) e internos (política monetária e cenário político). Entender essas peças ajuda a tomar decisões mais informadas, seja para investir, economizar ou simplesmente acompanhar a economia.
Se você curtiu esse panorama, continue acompanhando o blog. Vou trazer mais análises de como esses números afetam o nosso cotidiano e dar dicas práticas para proteger seu patrimônio.



