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Juros Altos e o Bolso das Famílias: Por que o PIB deu uma freada no terceiro trimestre?

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Juros Altos e o Bolso das Famílias: Por que o PIB deu uma freada no terceiro trimestre?

Se você tem acompanhado as notícias econômicas, já deve ter ouvido falar que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil desacelerou no terceiro trimestre de 2025. Mas, na prática, o que isso significa para a gente que vive de salário, tenta fazer aquele planejamento de fim de mês e ainda sonha com uma viagem ou a compra da casa própria? Neste post eu vou destrinchar os números que o Ministério da Fazenda divulgou, explicar como os juros altos influenciam o consumo das famílias e, principalmente, apontar o que isso pode trazer de oportunidades (ou desafios) para o seu bolso nos próximos meses.

O que os números realmente dizem?

Segundo o IBGE, o PIB cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025. Para comparar, nos três meses anteriores o crescimento era de 0,3%. Parece pouco, mas a diferença está no detalhe: o consumo das famílias – que representa quase 70% do PIB – desacelerou de 1,8% para 0,4%.

Em termos simples, a gente comprou menos coisas, gastou menos dinheiro e, como consequência, a economia inteira sentiu o efeito. Essa queda no consumo está ligada a dois fatores que o próprio Ministério da Fazenda apontou: o desaquecimento do mercado de trabalho e o crédito mais caro, consequência direta da política monetária restritiva do Banco Central.

Juros altos: o que são e por que o Banco Central os eleva?

O Banco Central controla a taxa básica de juros, a Selic, que serve como referência para todos os demais juros do país – dos empréstimos bancários, dos financiamentos imobiliários, dos cartões de crédito etc. Quando a inflação começa a subir, o BC aumenta a Selic para “esfriar” a economia, tornando o crédito mais caro e desestimulando gastos excessivos.

No momento, a taxa está em patamares historicamente altos, o que significa que:

  • Financiamentos de carro e casa ficam mais caros.
  • Cartões de crédito cobram juros que podem chegar a 300% ao ano.
  • Empresas sentem mais dificuldade para pegar empréstimos e investir.

O objetivo é evitar que a alta de preços (inflação) se torne um problema maior. Mas, como tudo na vida, tem um preço: o consumo diminui.

Como a desaceleração do consumo afeta o seu dia a dia?

Vamos colocar isso em termos práticos. Imagine que você costuma fazer compras mensais de supermercado, pagar contas, talvez colocar uma parcela de um financiamento ou usar o cartão de crédito para alguma compra maior. Quando os juros sobem, duas coisas acontecem:

  1. O custo do crédito aumenta. Se você precisar parcelar algo, o valor final vai ser bem maior. Isso faz com que muitas pessoas repensem a compra ou optem por adiar.
  2. O salário real perde força. Mesmo que o seu salário nominal não mude, a inflação reduz o poder de compra. Quando a gente sente que o dinheiro não rende, a tendência é cortar gastos supérfluos.

O resultado? Menos dinheiro circulando, menos vendas para as empresas e, consequentemente, um crescimento econômico mais lento.

O que a Fazenda espera para o futuro?

Apesar da freada no terceiro trimestre, a Secretaria de Política Econômica (SPE) ainda mantém a projeção de crescimento para 2025 em 2,2% – número que já estava na estimativa anterior. Eles acreditam que o quarto trimestre pode trazer uma leve melhora, especialmente nos serviços, que costumam ser mais resilientes.

Mas há um alerta: a tendência de desaceleração está “mais acentuada” e isso reduz o chamado “carry‑over”, que é o efeito de arrasto do crescimento de um trimestre para o outro. Em termos simples, menos impulso para 2026.

O que isso significa para quem investe?

Se você tem algum investimento, vale a pena reavaliar a estratégia. Aqui vão algumas dicas práticas:

  • Renda fixa com proteção contra inflação. Títulos do Tesouro IPCA+ podem ser uma boa escolha, pois ajustam o rendimento ao índice de preços.
  • Fundos de crédito privado. Com juros altos, esses fundos tendem a oferecer retornos maiores, mas lembre-se do risco de inadimplência.
  • Investimentos em ações de setores menos sensíveis ao consumo. Empresas de utilidades, tecnologia e saúde costumam ser mais estáveis.
  • Reserva de emergência. Em tempos de crédito caro, ter um fundo de emergência em liquidez alta (como CDBs de curto prazo) pode evitar a necessidade de recorrer a empréstimos com juros altos.

Como proteger o seu orçamento doméstico?

Mesmo que a macroeconomia pareça distante, pequenas atitudes podem fazer diferença:

  1. Reveja contratos de crédito. Se você tem financiamento ou cartão com juros altos, procure renegociar ou buscar alternativas com taxas menores.
  2. Planeje compras maiores. Avalie se realmente vale a pena parcelar ou se é melhor esperar por uma promoção ou por condições de pagamento mais favoráveis.
  3. Priorize o pagamento de dívidas. Quanto mais rápido você quitar uma dívida, menos juros vai pagar no longo prazo.
  4. Faça um orçamento mensal. Anotar entradas e saídas ajuda a identificar onde cortar gastos sem sacrificar qualidade de vida.

Olhar para o futuro: o que esperar de 2026?

A SPE alerta que o hiato – a margem que a economia tem para crescer sem gerar pressão inflacionária – está diminuindo. Isso significa que, se a política monetária continuar restritiva, o crescimento pode ficar ainda mais contido.

Por outro lado, se a inflação começar a cair de forma consistente, o Banco Central pode começar a reduzir a Selic, tornando o crédito mais barato novamente. Nesse cenário, poderíamos ver um retorno ao consumo e, consequentemente, um impulso ao PIB.

Para quem gosta de se planejar, a dica é ficar de olho nas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) e nos indicadores de inflação (IPCA, IGP‑M). Eles dão pistas sobre quando os juros podem começar a cair.

Resumo rápido (para quem tem pressa)

  • PIB do 3º trimestre de 2025: +0,1% (desaceleração).
  • Consumo das famílias caiu de 1,8% para 0,4%.
  • Juros altos (Selic) são a principal causa: encarecem crédito e freiam gastos.
  • Projeção de crescimento para 2025 permanece em 2,2%.
  • Impactos para você: crédito mais caro, necessidade de rever orçamento e oportunidades de investimento em renda fixa e setores menos sensíveis ao consumo.

Em resumo, os juros altos são como aquele freio que o Banco Central aperta para não deixar a inflação sair do controle. O efeito colateral é a desaceleração do consumo, que, por sua vez, arrasta o crescimento do PIB. Mas, como tudo na economia, há ciclos. O importante é ficar atento, ajustar seu planejamento financeiro e aproveitar as oportunidades que surgem quando o cenário muda.

E você, já sentiu o impacto dos juros no seu dia a dia? Compartilhe nos comentários como tem sido sua experiência e quais estratégias tem usado para driblar esse cenário. Vamos aprender juntos!